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Polícia

Instalação de espuma na Kiss não foi recomendada

Postada 26/11/2021



A instalação de espuma no palco da boate Kiss, em Santa Maria, como mecanismo para conter o ruído causado pelas festas, não foi recomendada, determinada e nem sequer mencionada no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado por representante da empresa com o Ministério Público (MP).
Qualquer menção à espuma inflamável, que acabou sendo utilizada na casa noturna, também inexiste no projeto técnico de engenharia feito por um profissional após a assinatura do TAC. O acordo da Kiss com o MP previa a contratação de um "profissional legalmente habilitado que fará projeto de isolamento acústico" para conter o barulho das festas, o que incomodava a vizinhança.
O fato de inexistir citação, recomendação ou determinação de colocação de espuma no teto do palco, seja no TAC ou no projeto de engenharia, contraria um dos eixos da defesa do réu Elissandro Callegaro Spohr, dono da Kiss. Ele afirmou que "a espuma só existe porque fui obrigado a fazer um termo de ajustamento de conduta (TAC) pelo som das festas".
Spohr, ainda disse que o promotor Ricardo Lozza, responsável pelo TAC no MP e o engenheiro Samir Samara, que assina o projeto de isolamento acústico como um dos responsáveis técnicos, supostamente haviam lhe indicado a espuma para forração acústica. "Eu fui até o promotor e ele me disse com as palavras dele: "Procura fulano, fulano, fulano que usaram espuma e fizeram isolamento acústico". A espuma era de uso comum.
A espuma acabou sendo determinante para a tragédia na boate Kiss. Quando as fagulhas produzidas pelo artefato pirotécnico erguido pelo vocalista Marcelo de Jesus dos Santos, da banda Gurizada Fandangueira, entraram em contato com a espuma, junto ao teto do palco, houve início de incêndio. O fogo se alastrou, e a queima da espuma produziu fumaça tóxica. Resultaram 242 mortos, a maioria jovens universitários, e 636 feridos.
Spohr e mais três réus irão a júri a partir do próximo dia 1º de dezembro, em Porto Alegre, respondendo à acusação de 242 homicídios simples, com dolo eventual, quando assume-se o risco de matar, e 636 tentativas de homicídio.


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