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Economia

Clima ruim afeta lavouras em Ijuí

Postada 26/11/2021



A irregularidade das chuvas começa a deixar suas marcas nas lavouras,  não apenas de Ijuí, mas, também, da região. A cultura do milho é a que vem sendo mais afetada até o momento. O agrônomo da Emater, João Vitor Buratti, conta que há mais de 30 dias o município vem sofrendo com a falta de chuvas.
Segundo ele, essa situação tem preocupado produtores de diferentes localidades do interior.  Buratti, explica que o plantio do milho já foi concluído e a cultura encontra-se em diferentes fases. "As lavouras mais afetadas são as do milho em floração ou formação de espigas. Nesta fase, a falta de chuva torna a perda praticamente irreversível. No caso da lavoura do milho, acreditamos que a perda, hoje, gira em torno de 50% a 60%. É um número que preocupa a todos pela importância do milho na propriedade rural, não apenas na produção  de grãos, mas, também, para a alimentação dos animais. Em Ijuí, temos 2.850 hectares de milho.”
Já a cultura da soja, que abrange uma área de 40 mil hectares, cerca de 50% das lavouras já foi semeada. “Há regiões com a planta na fase de germinação; outras, que foram semeadas, mas sem apresentar desenvolvimento da planta pela falta de água. Muitos produtores aguardam a regularidade das chuvas para poder retomar o plantio. Para isso será necessária, no mínimo, uma precipitação entre 40 a 50 milímetros. Havia uma expectativa de colheita de 3.600 quilos de grãos por hectare. Agora será preciso esperar o retorno das chuvas para fazer novo cálculo.”
O agrônomo ressalta que, além de prejudicar as lavouras de milho e soja, esse quadro reflete também na produção leiteira e no gado de corte pela perda da qualidade dos pastos e redução da silagem. O agrônomo observa que, para piorar, as altas temperaturas deste período agravam a situação no campo.
De acordo com Buratti, do total de área plantada de milho primeira safra, 700 hectares são destinadas para a colheita de grãos, enquanto 2.150 hectares são para a produção de silagem. Ele revela que a expectativa inicial era de 8.400 quilos de grãos por hectares. O milho da segunda safra, porém, ainda não foi plantado. “Alguns agricultores contam, ainda, com um estoque de silagem de aveia, trigo e feno, das culturas de inverno. Agora, a silagem feita de milho, pela cultura de verão, vai ser afetada. Por isso, é importante o retorno da normalidade das chuvas.”
Em relação ao abastecimento de água nas propriedades rurais, Buratti salienta que este não foi afetado. Ele lembra que em outubro, as chuvas foram regulares, contribuindo para o aumento do volume hídrico dos rios, açudes e vertentes na região. A falta de chuva também vem afetando diferentes partes do Rio Grande do Sul em decorrência do padrão de chuvas irregulares e mal distribuídas. A estiagem é uma possibilidade para os próximos meses no Rio Grande do Sul e preocupa o mercado de milho pelo atual momento. 
A tendência no Estado, segundo projeções dos institutos de meteorologia, é que se tenha  uma sequência da irregularidade das chuvas. A previsão é um volume abaixo da média pelo menos até junho de 2022. Sem chuva, o Estado deverá ter um verão mais quente e seco, com temperaturas acima da média.
Especialistas explicam que a irregularidade das chuvas é causado pelo La Niña, um fenômeno natural que, diferentemente do El Niño, causa a diminuição da temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico Tropical Central e Oriental. Assim como o El Niño, sua ocorrência gera uma série de mudanças significativas nos padrões de precipitação e temperatura ao redor da Terra.


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