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“Mesmo com o mercado musical fragmentado, ainda temos o nosso lugar”

Postada 08/11/2021



Ex-líder da banda Papas da Língua, que deixou em 2019, Serginho Moah deu início à carreira solo há dois anos. A banda foi formada em 1993 e, desde então, Serginho era o vocalista. Em 2016, começou a dar os primeiros passos na nova trajetória, quando anunciou o primeiro disco solo. Com Serginho nos vocais, o Papas da Língua se tornou uma das bandas gaúchas de maior destaque fora do Estado. Em 25 anos de história, fez 11 turnês pela Europa. 
Em entrevista ao JM, Serginho exaltou a volta dos shows com a presença de público após meses de pandemia. “Graças a Deus tenho trabalhado desde julho, com cerca de dez shows por mês. Óbvio que com protocolos, com público reduzido. Agora as coisas melhoraram bastante para nós músicos”, diz ele acrescentando que Ijuí é uma cidade muito importante em sua carreira. “Ijuí fez um papel muito bonito enquanto eu estava no Papas da Língua, então só tenho a agradecer a esse público por todas as festas e momentos positivos que tivemos aí. Tenho amigos nessa cidade e na região”.
Serginho vem de uma família de músicos, a mãe era cantora e o pai tocou em bandas. “Meu pai chegou a ser músico da banda de Nelson Ned, por exemplo. Era um grande músico que tocava muitos instrumentos e eu, graças a Deus, herdei isso dele. É minha grande referência”.
Aos nove anos, Serginho já cantava e tocava violão e foi tocando em escola de samba que decidiu pela carreira. “Gostei daquela coisa de tocar para um grande público. E com apoio da família e amigos que sempre diziam que eu tinha qualidade, investi na carreira”.
No Papas da Língua, ele diz que foram anos de muito trabalho e de muitas realizações. “Uma época linda em que viajávamos por todo Estado. E depois que uma de nossas músicas entrou na novela Páginas da Vida, viajamos o Brasil todo e aí atravessamos oceanos, indo para Europa, Estados Unidos, África. Só tenho que agradecer”.
Ao longo de 25 anos, no Papas da Língua, ele destaca que as músicas de maiores sucessos são “Blusinha Branca”, “Viajar”. “Claro que o grande momento da música seria ‘Eu Sei’, que nos levou a outro patamar, pois fez muito sucesso na época da novela. A música tem essa responsabilidade grande de nos mostrar para o País, e diversos locais. Nós, enquanto Papas da Língua, sempre fomos preocupados com a qualidade. Nunca soltamos uma música sem discutir muito sobre ela, sobre as palavras que estavam ali”. 
Agora, em carreira solo, ele diz que a decisão foi complicada. Serginho sempre fez apresentações solo paralela ao Papas da Língua, e cada um dos integrantes já exercia atividades paralelas, já que os cachês não eram tão altos. “Seguir solo foi uma decisão mútua. Sentamos no estúdio em Porto Alegre, conversamos sobre o que estava acontecendo. O Papas da Língua sempre foi uma banda que prezava pela qualidade musical, mas essa qualidade estava sendo preterida por outras questões, o mercado musical no Brasil mudou muito e o nosso estilo musical foi saindo de cenário quando outros estilos passaram a protagonizar o mercado de maneira mais forte. Óbvio que está todo muito trabalhando, não fomos prejudicados”, conta ele, que no auge do Papas da Língua, fazia de 15 a 20 shows por mês e no final chegou a dois ou três shows por mês. “Foi aí que vimos que a banda não merecia isso. E logo veio a pandemia. Acho que, de certa forma, foi até uma presença de espírito”, brinca ele. O último show enquanto banda aconteceu em 1º de maio de 2019. 
Agora, com a retomada das apresentações ao vivo, o músico diz que tem feitos shows para até mil pessoas, seguindo protocolos. “Em 2022 queremos começar a trabalhar em eventos maiores, em feiras, festas de rádio, que são sempre grandes. Estamos focando nisso e enquanto isso, nos apresentamos em lugares maiores. Estou muito feliz de estar trabalhando”.
Serginho compara o mercado fonográfico brasileiro a um ovo frito. “Tem a gema e tem a clara. Nós já pertencemos a gema, estávamos ali no meio, no núcleo, já pertencemos a classe que incluía Skank, Cidade Negra, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso e aí o sertanejo começou a chegar forte e o pop rock foi saindo da gema e passando para a clara e essa galera passou a protagonizar, juntamente com pessoal do funk, como Anitta e Ludmila. E eu acho legal. Não vou ficar com dor de cotovelo. Acho que todas as conquistas provêm do quanto trabalhamos. E eu graças a Deus tenho muita possiblidade de estar junto”, diz ele, que, recentemente participou de live e gravou participação em música de Fernando e Sorocaba. 
Serginho está se preparando para lançar um novo single, em 15 de novembro, pela gravadora Soma, de Porto Alegre e depois pretende seguir gravando. “Todos têm o seu lugar. Óbvio, que nós tivemos que parar assim como muitas bandas, mas mesmo com o mercado musical fragmentado, ainda temos o nosso lugar”, finaliza.


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