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Economia

Déficit do Previjuí terá aumento de 15% em 2022

Postada 23/03/2021



O déficit do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Ijuí (Previjuí) vai aumentar em quase 15 % para o orçamento de 2022. É o que aponta o cálculo atuarial - estudos para dimensionar os custos a longo prazo e a sustentabilidade do regime - entregue à presidente do Instituto, Clair Terezinha Báo.
Segundo ela, dos atuais R$ 642 milhões, o valor para 2022 está previsto em R$ 736 milhões. E o valor da alíquota, que atualmente é de 28,57% passará para 40,32%. "Isso é um valor bem elevado para um município e o Previjuí não pode mais diminuir cálculo ou encomendar um segundo cálculo atuarial para reduzir essas alíquotas, porque o objetivo é buscar a estabilidade", disse a presidente, em entrevista ao Grupo JM.
No ano passado, o Previjuí foi um dos motivos de embates acalorados durante a campanha eleitoral. O atual prefeito, Andrei Cossetin, na época candidato pelo Progressistas ao Executivo, afirmava que o déficit previdenciário havia aumentado na gestão de Fioravante Ballin (2009 a 2016), que também concorria à prefeitura pelo PDT. Em vídeo publicado em outubro de 2020, Cossetin disse que o déficit chegava a R$ 682 milhões, enquanto que a reserva para pagamento das aposentadorias estava em R$ 203 milhões. Por outro lado, Gerson Ferreira, na época presidente do Instituto, dizia que o déficit fazia parte da história do Previjuí.
Passado este processo, Clair explica que este aumento do déficit é resultado da política de redução das alíquotas suplementares. Segundo ela, em 2002, quando o Instituto foi constituído, o passivo chegou a R$ 101 milhões. 
"Nos quatro primeiros anos, as alíquotas praticadas eram bem significativas,  em torno de 30 a 43%. De 2006 a 2014, houve uma significativa redução, que variou de 13 a 18%. De 2015 a 2020 houve um pequeno aumento, ficou entre 18 e 26%. A alíquota suplementar praticada hoje é 28,57% e voltou a ter um equilíbrio. Essa diminuição de alíquotas, com certeza, influenciou bastante no déficit atuarial", ressaltou. 
Os recursos para a Previdência dos servidores municipais são formados atualmente pelas alíquotas de 14% do pagamento dos servidores, 16% do patronal, e 28,57% do cálculo atuarial. Havia no ano passado,  proposta para que a alíquota fosse de 36,5%, mas em decorrência da crise provocada pela pandemia no novo coronavírus, o valor foi reduzido para o valor atual.
O Previjuí possui 2.807 segurados, sendo 2.033 ativos e 774 inativos (616 aposentados e  158 pensionistas). 
Em termos de receita para este ano, o Instituto tinha como previsão orçamentária arrecadar R$ 78 milhões, mas o valor mensal recolhido nos dois primeiros meses ficou em torno de R$ 4,4 milhões mensal, abaixo da expectativa de R$ 6 milhões.
Segundo Clair, um dos motivos para a baixa da arrecadação é a falta de reposição salarial. "Isso significaria um aumento na nossa receita", frisa, lembrando que a despesa mensal gira em torno de R$ 3,6 milhões para os pagamentos de aposentados e pensionistas, custeios administrativos e financeiros. "Com isso sobra para aplicarmos em nosso fundo, em torno de R$ 780 mil. A nova reserva hoje em termos de valor financeiro aplicado em mercado é de R$ 209 milhões. "Isso é o que está se acumulando para o pagamento das futuras aposentadorias “, acrescenta.
Ela lembra  que o aumento do déficit do Previjuí tem como influência o envelhecimento da massa segurada, o crescimento da folha de inativos e pensionistas e a redução das taxas de juros. 


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