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Economia

PIB tem a maior queda em 24 anos

Postada 04/03/2021



A economia brasileira registrou em 2020 contração recorde de 4,1%, resultado do impacto econômico gerado pela pandemia do novo coronavírus, segundo dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esse é o maior recuo da série histórica com a metodologia atual, que começa em 1996, superando a retração de 3,5% registrada em 2015. Nas séries anteriores, elaboradas pelo IBGE e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desde 1901, a maior queda havia sido em 1990 (-4,35%).
Analistas projetavam queda de 4,2% no acumulado do ano e crescimento de 2,8% no trimestre, na comparação com o trimestre anterior (-1,6% na comparação com o mesmo trimestre de 2019).
O resultado do ano veio melhor do que o projetado pelo Ministério da Economia, que esperava uma queda de 4,5% para o ano de 2020. Já o Banco Central estimava uma queda de 4,4% para o ano.
Os economistas consultados pelo BC no boletim Focus chegaram a apontar contração de quase 7% durante o ano, mas as expectativas se tornaram menos negativas após o Congresso Nacional aprovar o auxílio emergencial e outras medidas de estímulo, que alcançaram patamares equivalentes aos gastos de países desenvolvidos.
A redução dos juros para o menor patamar da história recente, o cenário internacional com vários países adotando estímulos e a recuperação nos preços de produtos básicos exportados pelo Brasil também contribuíram para amenizar a queda do PIB.
"É um PIB melhor do que poderíamos imaginar, mas ainda assim extremamente negativo se olharmos para o passado", disse o analista de mercado, Argemiro Brum, em entrevista ao Grupo JM, lembrando que se a metodologia do cálculo não tivesse sido alterada, o País teria o pior Produto Interno Bruto dos últimos 100 anos.  
O instituto informou ainda que a recuperação do PIB, que havia sido registrada no terceiro trimestre do ano passado perdeu força nos três últimos meses do ano.
No quarto trimestre, houve crescimento de 3,2% em relação aos três meses anteriores, quando a expansão havia sido de 7,7%. Na comparação com o mesmo período de 2019, o PIB do período de outubro a dezembro caiu 1,1%. "Houve um recuo, que infelizmente, com  o agravamento da pandemia agora no primeiro trimestre de 2021, já está indicando uma piora do PIB nesta arrancada de 2021, dando sequência a essa perda de fôlego que foi constada no fim do ano passado", frisa Brum. 
Os números do IBGE mostram que o setor mais afetado pela crise é o de serviços, que responde por cerca de dois terços do PIB. São mais afetados os segmentos que dependem do movimento de pessoas, como alimentação e alojamento. O comércio e a indústria já tinham voltado ao patamar pré-crise. "A agropecuária, com seus 2% positivo, sustentou em parte  o crescimento, já que os demais setores foram negativos e segurou o prejuízo", diz o analista de mercado. 
 Com a queda de 4,1%  do PIB,  o Brasil atingiu, no final do ano passado, o patamar equivalente ao registrado entre o final de 2018 e o começo de 2019. 
Questionado, o presidente Jair Bolsonaro disse que o 'dado positivo' é que PIB do Brasil foi um dos que menos caíram no mundo. Com o resultado, Agência de classificação de risco Austin Rating, mostra que o Brasil deixou de figurar entre as dez maiores do mundo, passando ao 12º lugar.


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