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Rural

Supersafra expõem falta de armazéns para soja

Postada 23/02/2021



O mês de janeiro foi bastante chuvoso no Rio Grande do Sul e ajudou no desenvolvimento das lavouras da safra verão 2020/21 em diversas regiões do Estado. 
As áreas de soja foram as mais beneficiadas com as precipitações, mas os próximos dias serão decisivos para que a região colha uma supersafra da oleaginosa.
“Nós estamos com uma safra bem encaminhada, mas hoje é um pouco mais da metade do mês de fevereiro. Este ano temos uma característica que boa parte da área de soja foi plantada na segunda quinzena do mês de novembro e isso tem um impacto agora. Para que nós possamos falar em supersafra, teremos que aguardar todo o mês de fevereiro e meados de março se tivermos chuvas regulares”, disse o gerente da Três Tentos, André Bigolin, lembrando que o momento é de cautela, mesmo com todas as boas perspectivas de uma boa colheita que existem neste momento. “Então, se nós conseguirmos ter nesse prolongamento das chuvas pelos próximos 30 dias,  teremos uma safra histórica aqui na região”, acrescento.
Bigolin ressalta que alguns produtores na região poderão colher até 80 sacas por hectare, mas a média geral ficará em torno  60 sacas por hectare. Essa super produção expõem  a falta de local para estocar os grãos.
“As empresas têm a sua capacidade estática de armazenagem, mas obviamente que a colheita se concentra em um período muito curto e não se tem condições de armazenar toda essa soja. Por mais que a Três Tentos tenha duas indústrias esmagadoras, uma de Ijuí e outra em Cruz Alta, que conseguem esmagar quatro mil toneladas por dia, o que representa 65 mil sacos de soja  diariamente, isso não dá sustentação para toda essa safra”, ressalto Bigolin. 
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e  Estatística (IBGE), de novembro do ano passado, apontam que o Rio Grande do Sul possui o maior número de estabelecimentos de armazenagem do País, com 1.920 unidades e capacidade de 32,4 milhões de toneladas, sendo o silo o tipo de armazém como forma predominante.  O armazenamento convencional são 2,8 milhões de toneladas, o graneleiro 8,2 milhões de toneladas e o silo 21,2 milhões. 
Bigolin lembra ainda que outro problema poderá ocorrer no porto de Rio Grande. "Pode ter um colapso no porto, pois a capacidade de carregamento de navios não é o mesmo da entrada, então, talvez teremos um bom problema aí na frente, que será de onde armazenar essa safra",  finaliza. 


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