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Jovens superam desafios do ensino inclusivo

Postada 01/02/2021



Ao falar de Educação também precisamos nos voltar ao Ensino Inclusivo, cada vez mais necessário. O debate em torno do tema ganha força ao encontrarmos, em nossa cidade, exemplos de pessoas que ultrapassaram barreiras e foram além de limitações físicas, reforçando que é preciso pensar em uma sociedade para todos, com inclusão, acessibilidade e garantia de direitos.
No início de 2011, aos 19 anos, Eduarda Kommers, 29 anos, teve uma inflamação do nervo óptico e acabou perdendo a visão. Naquele instante, sua vida mudou de uma hora para outra e entre consultas e busca por tratamentos teve que se adaptar a uma nova realidade, reaprendendo a fazer várias coisas. Mais tarde, em 2014, por meio de um amigo ficou sabendo sobre a oportunidade de participar de um projeto missionário da Faculdade Batista Pioneira, que tinha duração de 6 meses.
"Como teria que morar no internato da faculdade, resolvi esperar mais um pouco para me preparar. No início de 2016, participei do projeto, fazendo também algumas disciplinas do curso de Teologia", conta Eduarda.
O plano inicial era somente o projeto, mas com o passar do tempo sentiu que deveria seguir no curso. "Os desafios aumentaram, com mais trabalhos, provas, um estágio, muitos livros para ler e um temido TCC. Diversas vezes pensei que não conseguiria, mas com muito esforço e com o apoio da minha família e também de todos os meus professores consegui chegar ao final da faculdade com ótimas notas. Essa conquista não foi só minha, pois sempre tive pessoas incríveis ao meu lado", comemora, agradecendo aos pais Enio e Fátima Kommers.
Ela conta que o acesso ao conteúdo se deu de forma tranquila, mesmo sendo uma situação nova, tanto para ela quanto para a Faculdade, que proporcionou um cadastro em uma biblioteca virtual onde ela teve todos os livros que precisava em PDF compatíveis com leitores de tela. "Sempre tive acesso ao material, pude fazer todos os trabalhos, com acesso a tudo, tanto aos conteúdos das aulas quanto a materiais para trabalhos. Para mim, onde estudei o ensino é ótimo e inclusivo, mas, infelizmente, sei que em outras instituições não é assim, conheço pessoas que já tentaram começar uma faculdade, mas em função de algumas dificuldades, e algumas instituições não fazerem muita questão de ter material, de ser acessível, tiveram que desistir", pondera, acrescentando que é preciso um maior esforço em geral para que tudo dê certo.
Depois de cinco anos de curso, Eduarda formou-se em Teologia, no dia 12 de dezembro de 2020, e recepcionou amigos e familiares no dia 9 de janeiro.

Persistência 

Estudante de Farmácia na Unijuí, Vanessa Hoffmann Campos também está em busca de seu sonho. Ela ingressou na Universidade no segundo semestre de 2018, mas no dia dia 30 de dezembro, acabou sofrendo um acidente de motocicleta, que mudou radicalmente sua vida. “Eu tive uma fratura na coluna, que ocasionou uma lesão na medula. Desde então, me tornei uma cadeirante. E tive que, infelizmente, interromper os estudos na Universidade”, recorda a jovem que, mesmo distante da graduação, não se desvinculou da Unijuí. Pelo contrário, seus laços apenas se fortaleceram com a equipe. Isso porque, no dia 27 de fevereiro de 2019, ela deu início à reabilitação na Unidade de Reabilitação Física (Unir), um dos espaços da Unijuí Saúde no campus Ijuí.
"O início é muito complicado, é um baque muito grande. Você passa a precisar de ajuda para coisas básicas, como tomar banho e comer. Sou extremamente grata ao atendimento que tive e tenho na Unir, que me ajudou a retomar a minha independência", comenta a jovem, que conseguiu retomar os estudos, no curso de Farmácia, no segundo semestre de 2019. "Foi um momento emocionante. Estava insegura para voltar e me questionava se seria capaz de dar conta. Mas sempre contei com o apoio dos professores, funcionários e colegas. Há sempre alguém pronto para ajudar."
Com a pandemia, Vanessa teve a ideia de compartilhar as suas sessões de fisioterapia, e a sua rotina, com outras pessoas, e criou um canal no Youtube, onde também aborda questões como a inclusão e a lesão medular. "Acabei não só recebendo apoio, como também consegui ajudar outras pessoas, inclusive alunos do curso de Fisioterapia, que assistem aos vídeos para acompanhar as sessões."
Para os próximos anos, ela tem o desejo de conseguir concluir o curso que tanto gosta e de não se deixar abater. "Quero me descobrir, cada vez mais, na minha área, e conseguir conquistar tudo que sonho. Nunca deixarei que alguém diga que eu não consigo fazer. Para todos aqueles que estão, assim como eu, neste processo de descoberta, eu apenas digo: corram atrás dos seus sonhos. Não deixem que as coisas aconteçam sozinhas. Cada dia que passa, cada conquista que tenho, cada semestre que concluo na Universidade, é uma vitória que me faz querer mais."

Em busca de um sonho

O mesmo caminho, começa a ser trilhado pelo jovem Lucas Forgiarini de Matos, 18 anos. Aprovado no vestibular para Educação Física, Lucas é o primeiro ingresso da Unijuí com síndrome de down, e não poderia ser mais motivo de orgulho para os pais, Agotinho Alves de Matos e Lenir Forgiarini de Matos, e o irmão Cássio.
Desde pequeno, Lucas se dedica aos estudos, dentro de uma rotina diária, e sempre demonstrou aptidão às atividades esportivas, em especial o futebol e judô, que ele divide com a musculação. "O Lucas optou pela Educação Física por gostar muito de esportes", reforça o pai.
Em 2020, Lucas concluiu o Ensino Médio no Centro de Educação Básica Francisco de Assis (EFA), onde estudou desde os 4 anos. Entre  idas e vindas de clínicas, realizando estimulações desde cedo, Lucas sempre se destacou nos estudos e nas atividades que desempenhou, começando a ler aos seis anos,  como lembra o pai. "Sempre prestamos toda a estrutura e o acompanhamento necessário e hoje o Lucas é o que é: faz de tudo. Com a conclusão do Ensino Médio, decidimos continuar investindo nele, que queria realizar uma graduação. Isso ajuda até na sua autoestima", afirma Agostinho.
Psicopedagoga na EFA, Juliana Sfalcin relata que Lucas teve uma bela trajetória desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. "Participativo em todos os processos, teve avanços significativos e, de forma a considerar sua capacidade cognitiva, respondeu de forma positiva às aprendizagens. Por isso acreditamos que terá sucesso também no Ensino Superior. O mais importante nos processos de ensino e aprendizagem é fazer com que o estudante se sinta capaz de superar suas dificuldades, potencializando suas habilidades, sempre com muito respeito, empatia e sensibilidade."

Por Deise Morais
 


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