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Saúde

Falta de medicação pode gerar colapso na Saúde

Postada 08/01/2021



A falta de um medicamento fundamental para o transplante de medula óssea está preocupando médicos e pacientes brasileiros.
Na maioria dos casos, antes de fazer o transplante de medula óssea, o paciente precisa tomar um remédio chamado Bussulfano. Ele é essencial para o transplante dar certo. Isso porque o remédio destrói as células doentes, preparando o organismo para receber as células saudáveis da medula do doador.
O laboratório francês, Pierre Fabre, o único que comercializa esse produto no Brasil, anunciou, em novembro, que vai parar a distribuição porque a fábrica, a única aprovada pela Anvisa, encerrou as atividades. Por isso, o laboratório afirmou que busca opções de fornecimento para o mercado brasileiro.
"É uma situação que realmente preocupa os profissionais da Saúde em relação aos pacientes que se beneficiam dessa medicação. Esse medicamento é utilizado na maioria dos transplantes de medula óssea realizados no Brasil, como uma quimioterapia prévia ao transplante. É um tratamento necessário para o combate de muitas doenças, por exemplo, a leucemia. Com esse desabastecimento há o risco de um colapso, onde os transplantes de medula não poderão ser realizados no Brasil", explica a médica hematologista, Cheila Meincke Eickhoff. 
A Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia alertou para o prejuízo no tratamento caso a distribuição seja interrompida. A Anvisa disse que, por causa da importância do medicamento, estuda ações e medidas que possam favorecer o acesso a produtos similares. Entretanto, Cheila chama atenção que a busca por outras medicações não é a solução mais adequada, no curto prazo.
"Não é uma coisa simples, haverá necessidade de importar esse medicamento, o que implica em várias coisas, no custo, que geralmente é mais caro, na qualidade desse produto, que precisa ser avaliado, se realmente é eficaz. Várias coisas precisam ser avaliadas pelos órgãos competentes para tomar as devidas providências", pondera.
 A região de Ijuí não conta com centro de tratamento de medula, os pacientes daqui são  encaminhados a Porto Alegre. "Há uma incerteza ainda do que irá acontecer. Esperamos que as autoridades brasileiras, Anvisa, Vigilância Sanitária, Ministério da Saúde, consigam reverter e providenciar o abastecimento desse medicamento tão importante."
O Ministério da Saúde diz que não foi notificado da decisão e declarou que o Instituto Nacional do Câncer, o Inca, tem estoques do medicamento para apenas mais três meses. "Alguns Centros têm estoque, depende muito do serviço, mas vai acabar os centros de transplantes de todo o País."
Em 2019, foram realizados no Brasil 3.805 transplantes de medula em adultos, 534 em crianças. Hoje, cerca de cinco mil pessoas esperam por esse tipo de transplante. "Há uma preocupação mesmo de causar um transtorno para a Saúde Pública."


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