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Gafanhotos aparecem em lavouras da região

Postada 03/12/2020



A presença de gafanhotos na região acendeu um alerta nos produtores gaúchos, que temem prejuízos como os observados na Argentina, em agosto deste ano. Produtores rurais de Santo Augusto e São Valério do Sul identificaram focos de gafanhotos em lavouras. O relato acontece dias depois do Serviço Nacional de Saúde e Segurança Agroalimentar (Senasa) da Argentina detectar insetos a cerca de cinco quilômetros da fronteira com o Brasil. A Secretaria da Agricultura do Estado desconfia que a espécie encontrada no território gaúcho não seja a mesma identificada no país vizinho.
Por enquanto, a Secretaria da Agricultura continua monitorando os focos, tanto na região Noroeste quanto na província argentina de Missiones.
Segundo o chefe da divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria da Agricultura, Ricardo Felicetti, os insetos não são do tipo migratório, como a espécie  Schistocerca cancellata, que invadiu lavouras agrícolas argentinas, em agosto passado.
“Não são gafanhotos migratórios da Argentina que surgem por desequilíbrio climático, são espécies endêmicas", explicou. "A prioridade máxima é delimitar a área e evidenciar o potencial dano às lavouras. Foi descartado ser gafanhoto migratório, como os que assustaram neste ano. São espécies endêmicas, que devem ter aumentado de população, mas sem grande risco às lavouras gaúchas. Permanecemos monitorando, buscando trazer soluções caso haja risco para lavouras nos focos localizados em São Valério do Sul e Santo Augusto."
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santo Augusto, Clóvis Sequinatto, registros feitos mostram gafanhotos pendurados nas plantas. Focos dos insetos também foram registrados em lavouras de soja e é possível ver danos causados nas folhas. “Com certeza, se não tiver um controle logo, em dois dias essa lavoura de soja vai estar totalmente comprometida. Não tem jeito”, alerta.
O fiscal agropecuário Alonso Andrade destaca que não há uma nuvem se aproximando e que, acentua, a espécie é diferente da que causou pânico e destruiu lavouras, na Argentina.
O secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, Covatti Filho, entrou em contato com o colega de partido, deputado federal Jerônimo Goergen (Progressistas-RS), para detalhar o plano de ação da pasta contra a chegada de gafanhotos ao Estado.
"Dessa vez, os gafanhotos cruzaram a fronteira e já podem ser vistos junto às lavouras. Temos que agir de forma muito rápida para evitar mais prejuízos aos agricultores, que já sofrem com os efeitos de uma segunda estiagem consecutiva", alertou o deputado. 
Em áudio encaminhado pelo Whatsapp, Covatti Filho explica que a Secretaria já está trabalhando na identificação da espécie para realizar a compra dos defensivos.
"Os recursos já estão disponíveis desde a última ameaça de infestação, por meio da Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura. Tendo a informação de qual é a espécie e o reagente adequado para fazer a aplicação, nós já temos condições de adquirir o produto e disponibilizar os defensivos para os produtores rurais", explicou.
Todo o processo, conforme Polo, é acompanhado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, por também envolver áreas indígenas, mas que tudo deve estar concluído até hoje.
O presidente da Assembleia Legislativa, Ernani Polo, adiantou que está em contato direto com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, passando todas as informações sobre o problema.
"O maior volume está sendo registrado na área indígena, no município de Inhancorá. Mas estamos aguardando a liberação de princípios ativos de produtos químicos para o combate dos gafanhotos, que pelo que está sendo registrado, é uma espécie diferente, menos agressiva, segundo informações dos técnicos, mas estamos trabalhando para estancar essa ameaça”, declara.


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