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Ijuiense dirige sucesso mundial da Netflix

Postada 26/10/2020



Rog Souza foi contatado pelo Jornal da Manhã esta semana para contar sua mais recente experiência de sucesso, a de diretor de cena da série brasileira que é um dos grandes sucessos mundiais da plataforma de streaming Netflix. E foi pródigo em narrar esta sua experiência, em linguagem ágil e criativa, o que demonstra sua mente efervescente. A série “Bom dia, Verônica” pode ser classificada como um suspense, um trhiller psicológico ou um policial, que focaliza a violência contra as mulheres. Por si só é um tema de grande interesse, mas vem acrescido pela qualidade de produção e pela importância de seu alerta. O depoimento do nosso conterrâneo Rog Souza é superlativo, dá muitos detalhes, e vai estar completo em matéria especial na próxima edição da revista Stampa. 
Filho do médico Rogério Machado de Souza e da professora Leda Fogliatto de Souza, Rogerinho, como os amigos daqui o conhecem, foi embora aos 16 anos, logo após finalizar o Ensino Médio. Chegou a morar em Nova Iorque e Porto Alegre. É jornalista de formação, casado com Carol e pai de Mia, seis anos, e Salvador, que deve nascer no Carnaval. Atuou muito em publicidade no Brasil e exterior, em produções de filmes de cerveja, carros, bancos. 
Na série “Bom Dia, Verônica”, trabalhou de março de 2019 a maio deste ano, e a gravação foi realizada no segundo semestre de 2019. O diretor geral José Henrique Fonseca, que o conhecia da publicidade, o chamou para trabalhar na direção com ele. “O Zé já havia me chamado para a série Espinosa da HBO, que precisei recusar, e me cogitado para um longa, mas nunca fechamos agendas. Desta vez, me sentia completamente pronto. O que logo descobri que não estava. Mas ralei. A vida me ensinou resiliência, e com isto e muito estudo, alcançamos um super resultado. Zero fácil, e muito importante o não desistir. Todo dia, ir lá e entregar o seu melhor. Chegar preparado.” 
Sua relação com o elenco foi incrível, relata. Ele e Tainá Müller, que interpreta Verônica, eram amigos há anos. “Fiquei feliz demais quando soube, na segunda reunião geral, que ela seria a Verônica. Du Moscovis e eu nos tornamos brother’s também, ele é um grande urso, espaçoso, extremamente afetivo. Aprendi algo muito especial com ele, que levarei para sempre. Cada pessoa do elenco me ensinou algo, e espero ter contribuído para eles chegarem no pico que levaram cada personagem”. Na equipe de direção, atuaram três, Izabel Jaguaribe, que segundo Rog, brilhou demais dirigindo as cenas da casa das personagens Janete e Brandão, cenas muito difíceis, José Henrique Fonseca, como diretor e diretor geral, e ele. 
Rog diz que não tem inspirações diretas no seu trabalho. “Minha inspiração, no começo era o cinema, e os 10 milhões de filmes de ação, suspense, que assisto desde que a tia Lili abriu a Espaço Vídeo há décadas atrás, ali do lado da Sorvebella (na Benjamin Constant). Logo, porém, fiz o que o jornalismo me trouxe: pesquisa in loco. Fui para delegacia de homicídios, fiquei amigo dos delegados de SP, usei armas, coletes, aprendi, ouvi gritos para entender estratégias.”
Na família, ele diz que encontrou uma fonte preciosa, Neto, seu primo, um dos Souzas, agora delegado aqui em Ijuí. “O Neto é um poeta, um adicto da literatura e cinema, além de policial. O Neto foi minha fonte essencial, mandando vídeos da delegacia de Porto Alegre e principalmente, me apresentando uma detetive do time dele em Porto, que inspirou diretamente a construção da Anita, na série”.
Ele credita o sucesso da série ao tema e ao ritmo. “A violência contra a mulher é o que se agarra desta série. Nojo, asco, fúria e proximidade. Muitas mulheres me escrevem, sensíveis, confidentes. Obrigado a todas pela confiança. Precisamos romper com isto. Como é a Delegacia da Mulher em Ijuí, como estão sendo amparadas as esposas abusadas? A série deve ser mais do que entretenimento, e Janetes precisam ser salvas. Quem tá lendo aqui, repense se não conhece alguém que precise de amparo. Observe se alguém que viu a série, disse é ‘difícil pra mim’. Fique atento. O Brasil é um açougue aberto de corpos femininos, isso não pode continuar.” 
“Bom Dia, Verônica” é a quinta série mais vista na Suécia, na Islândia, na Noruega. “É uma competição quase infinita de séries no mundo e estamos no Top 10 da Netflix em mais de 10 países.” Uma segunda temporada é muito provável, mas não há nada oficial. Rog explica que quando é apresentado um projeto ao canal, sempre é incluída uma ideia de roteiro para a segunda, e até terceira temporada. “É importante, porque dá ideia de continuação do alto investimento deles. Veronica tinha isto”. A medir pelo sucesso, vem mais aí.


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