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Liquidação está parcialmente suspensa

Postada 14/10/2020



A 6ª Vara da Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul emitiu um despacho, na última sexta-feira, que proíbe a Cotrijui de vender ou arrendar bens para pagar credores. A decisão foi tomada um ano depois da cooperativa ter sua liquidação autorizada em processo movido por um dos credores. Na prática, faz com que ações, como venda de bens, tenham de esperar, até que sejam julgados os recursos de apelação - movidos tanto pela autora, a Chinatex, quanto pela associação de credores que defende a continuidade das operações
Presidente da Associação dos Sócios, Credores e Vinculados Diretos e Indiretos da Cotrijui (Ascredi), Oswaldo Olmiro Meotti, em entrevista ao Grupo JM, defende a viabilidade dos negócios. Ele explica que essa decisão do TJ-RS é um avanço importante na disputa para que a Cotrijui passe de liquidação para recuperação judicial.  
"Até aqui chegamos a 50% do caminho. A partir daqui, tudo o que conseguirmos vai pender para a volta da operacionalidade, que vai se consolidar com reuniões que serão feitas com o corpo associativo. Por enquanto, nós estamos mostrando para a Justiça que ela pode voltar a funcionar, aí se ela quiser que funcione, vem a nomeação de um administrador judicial", disse Meotti, que já foi presidente da cooperativa. 
Ele lembra que essa proposta de buscar a recuperação da cooperativa iniciou em 2013, mas ganhou corpo a partir de agosto de 2018. "Desde então, viemos desenvolvendo um trabalho titânico e dentro da premissa que o judiciário não muda uma atitude somente com informações verbais ou escritas. Além delas, é necessário ter a comprovação dessa legitimidade. Então, compilamos essas informações a partir do balanço de 2018, que o atual liquidante publicou. Foram feitas as devidas correções e um novo balanço, através de um contador, que foi avaliado por um perito contábil e auditoria contábil. Então, mostramos ao judiciário aquilo que nós dissemos e que culminou com a suspensão da sentença da liquidação da cooperativa." 
De acordo com Meotti foram incluídos valores pré-existentes, que foram deixados de fora do balanço do liquidante. "Incluindo estes valores, a cooperativa é viável, ela tem mais ativos que passivos", disse, ressaltando que as duas rubricas ultrapassam as cifras de R$ 2 bilhões.  
Desde janeiro de 2018, a cooperativa, está sendo administrada por um administrador judicial. Procurado pelo Grupo JM, o interventor, Rafael Brizola Marques, disse, por nota, que a "administração judicial seguirá observando fielmente as determinações emanadas. A decisão prolatada recentemente pelo Tribunal de Justiça apenas suspende os efeitos da sentença de conversão da liquidação judicial até o julgamento das apelações interpostas.”
A Cotrijui já foi, na década de 1970, a maior da América Latina e chegou a ter mais de 20 mil sócios.  Dívidas acumuladas ao longo dos anos trouxeram um passivo de R$ 2 bilhões. E deram início ao processo que se arrasta desde 2014. Na ocasião, associados decidiram, em assembleia, pela liquidação extrajudicial.


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