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Economia

Demanda influencia aumento da inflação

Postada 08/10/2020



A inflação influenciou muito a economia brasileira, principalmente a partir da década de 80, com a crise do petróleo. Na época, o Brasil estava endividado e com a elevação das taxas de juros internacionais o País já não conseguia pagar suas dívidas. Para controle da inflação, o governo do período teve a iniciativa de criar uma nova moeda, que também pudesse estabilizar a economia. De todos os planos criados o que teve maior sucesso e é utilizado até hoje é o Plano Real.
Mas nos últimos meses, a inflação e as taxas básicas de juros voltaram a dominar os debates do cenário econômico brasileiro. O primeiro, por ter influenciado os preços dos alimentos e, o segundo, por estar no menor valor histórico. 
A inflação nada mais é do que uma consequência da desvalorização da moeda e do aumento dos preços, o que é chamado de inflação de demanda. Quando muitas pessoas estão dispostas a pagar um preço pelo produto, os negociantes aumentam seus preços e isso faz com que a moeda não tenha o mesmo valor que tinha antes.
Já as taxas de juros são uma das melhores estratégias para conter o aumento da inflação, pois quanto mais alto for o valor da taxa de juros, menos as pessoas irão fazer empréstimos e financiamentos, logo, com pouco dinheiro em circulação, é menos provável que os negociantes irão aumentar seus preços e como consequência desvalorizar a moeda.
Vivemos hoje um momento de retração econômica, com projeções de queda acentuada no Produto Interno Bruto (PIB) e uma inflação de 2,44%, ou seja, abaixo da meta estabelecida pelo Banco Central, de 4%, e uma taxa básica de juros em 2%. Nos últimos meses, estamos acompanhando a alta no preço de produtos, como por exemplo, alimentos, que chegou a 20% em algumas cidades do País  e dos alugueis em quase 18% nos últimos 12 meses. 
Economista Pollyanna Rodrigues Gondin explica que esse aumento dos alimentos, não pode, a priori, ser considerado como inflação, mas já liga o alerta para a perda do poder de compra do trabalhador. “O aumento do preço dos produtos, está, também, relacionado com a desvalorização da nossa moeda, que estimula o produtor a exportar o que está se produzindo e, para além disso, encarece nossas importações.”
Então, seria a hora de o governo aumentar a taxa de juros para frear o consumo, já que existe uma preocupação com esse aumento dos preços? 
Para Pollyana, ainda não é o momento. "Mas de nada adianta ter taxas de juros reduzidas se o governo não se utilizar de outros instrumentos para realizar uma política expansionista."
Já o economista João Borin explica que  este estímulo da economia, especificamente no setor de alimentos, foi ocasionado pela liberação do auxílio emergencial pelo governo federal. "Então, se tem uma pressão por demanda, como por exemplo, na oferta de arroz, onde houve o aumento da procura, mas a oferta continuou a mesma", disse, reforçando que a taxa de juros influencia na inflação, principalmente na relação de consumo. "A queda na taxa de juros não chega, porque no Brasil ainda não se aprendeu a fazer este acompanhamento entre uma taxa real de inflação, a taxa real de juros e os reais custos dos negócios, como por exemplo, dos alugueis. O brasileiro terá que aprender que quando os custos são muitos elevados, entrava o crescimento. O Brasil cresce em torno de 2% nos últimos 30 anos, porque não se faz essa análise em todos os setores econômicos. Não existe um setor específico que é o culpado, mas todos têm a sua culpa por não sentarem à mesa para fazer o ajuste necessário."
  


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