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Proposta de programa é vista com desconfiança

Postada 01/10/2020



A proposta do governo para criar o programa social Renda Cidadã com recursos do Fundeb e com verbas reservadas no Orçamento para pagamentos de precatórios movimentaram o mercado econômico e os bastidores da política em Brasília nos últimos dias. Após o anúncio, que ocorreu na segunda-feira, diferentes entidades se manifestaram contrárias a proposta, principalmente por retirar recursos da educação e criar uma bolha, que pode afetar até mesmo o pagamento de servidores e aposentados. 
Analista de mercado, Argemiro Brum afirma que a ideia do Renda Cidadã é importante para a sociedade mais pobre do Brasil, mas que ela tem mais o interesse de buscar a reeleição do presidente da República, Jair do Bolsonaro, do que realmente ajudar os que mais precisam.  “É uma tentativa interessante em termos sociais, que o governo faz na busca de facilitar a vida dessas pessoas. Mas temos que entender que essa proposta não nasceu da preocupação que o governo tem com as questões sociais do Brasil. Então, o Renda Cidadã vem mais como uma ação política do presidente, que ao perceber que auxiliar os mais pobres, através do auxílio emergencial durante a pandemia, elevou a sua aceitação frente à população. E como há interesse em reeleição em 2022, o presidente faz questão de colocar em prática essa Renda Cidadã.”
Para suprir a crise, o especialista afirma que o ideal neste momento era que o governo fizesse com que a economia reagisse, gerasse emprego e em paralelo ampliasse a qualificação da mão de obra. “Este é o caminho que todo País desenvolvido que se preze fez até hoje. Ou seja, nós precisamos urgentemente qualificar a nossa mão de obra, desde o Ensino Básico até o Ensino Superior,  cada vez mais, para que com isso a população possa almejar e trabalhar em busca de empregos melhores”, disse, lembrando que o atual projeto do governo está indo em sentido contrário, e retira recursos da formação de pessoas, através do Fundeb, já que muitas vezes existem ofertas de empregos, mas não há pessoas qualificadas para ocupar as vagas. “Isso não é de agora. Isso vem historicamente, principalmente na última década. Mas claro que a formação de pessoas com geração de empregos, através de uma recuperação da economia, é melhor. Mas como este processo é lento e depende de decisões políticas e em princípio, como para quem é populista e tem interesses imediatistas, como o atual presidente da República e alguns dos seus seguidores, isso não interessa muito, porque demora para surtir efeitos. Então, é muito mais interessante para este tipo de raciocínio, embora não seja para o Brasil, colocar em prática programas assistências de curto prazo que animem a população.”
   


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