Notícia

Saúde

Prevenção deve começar na infância

Postada 28/09/2020



Embora a covid-19 tenha colocado uma cortina de fumaça sobre outras questões, o cuidado com a saúde não deve ser deixado de lado. É o que lembra o cardiologista e coordenador do Instituto do Coração (Incor) do Hospital de Caridade de Ijuí (HCI), Rafael Manhabosco Moraes, destacando a necessidade de se manter atento à saúde cardiovascular – não apenas neste mês, quando transcorre o Dia Mundial do Coração, mas o ano todo.
“Datas como esta, que será celebrada na próxima terça-feira, são importantes para que possamos trabalhar a conscientização, a mudança de hábitos, a prevenção. Tudo para que tenhamos menos pessoas procurando os serviços de saúde”, destacou o especialista, lembrando que quando falamos de doenças cardiovasculares, nos referimos à hipertensão, diabetes, infarto, insuficiência cardíaca e dislipidemia – quando o paciente tem alterações em seus níveis de colesterol. 
“Estamos falando de coisas bastante robustas. Para se ter uma ideia, entre 40 e 50% dos indivíduos acima dos 50 anos têm hipertensão. A dislipidemia corresponde a 30% do grupo acima dos 50 anos. Não à toa que as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de mortalidade na grande maioria dos países, em virtude da alta prevalência destes problemas. O fim da linha, infelizmente, acaba sendo o infarto, a insuficiência cardíaca, que podem levar ao óbito.”
Conforme destaca o médico, os fatores de risco podem ser divididos em dois grupos. No primeiro, estão os não modificáveis, como o envelhecimento, que é um risco para as doenças do coração, e a história genética. “A gente sabe que cada um de nós carrega uma carga que vem dos seus antepassados e há famílias que possuem riscos cardiológicos maiores. Não temos como interferir neste mecanismo”, disse. 
Já quando falamos em fatores modificáveis falamos de medidas que podem ser tomadas para diminuir o risco cardiovascular: fugir do sedentarismo, evitar o tabagismo, realizar atividades físicas e evitar a obesidade. “A idade é um fator de risco e esse fator é cumulativo. Quanto mais idoso o indivíduo fica, maior o seu risco cardiovascular. Nós temos uma prevalência de casos maior em indivíduos a partir dos 60, 65 anos. Só que o que observamos, nos últimos anos, é que tem acontecido um aumento da incidência de doenças cardíacas em pacientes mais jovens. E neste sentido, podemos intervir em fatores de risco modificáveis.”
Hábitos de vida, adotados ainda na infância, podem ter repercussão na vida adulta. “A gente vê que a geração de agora não está mais envolvida em atividades que estimulam a prática de atividades físicas. Crianças e adolescentes ficam muito tempo em frente ao computador, ao celular, e não mais participando de brincadeiras, como antigamente. Isso começa na infância e, já mercado de trabalho, temos o aparecimento de níveis de estresse que, associados ao sedentarismo, acabam levando à obesidade. E em razão da ansiedade, por vezes a pessoa acaba começando a fumar. A gente vai somando as coisas e isso vira uma bola de neve. Tanto que temos como resultado pacientes com 30, 35 anos infartando e tendo problemas extremamente graves do ponto de vista cardíaco”, afirmou.
O check-up é indicado para homens acima dos 35 anos e mulheres a partir dos 40. Quem tem sintomas ou histórico familiar pode iniciar o atendimento antes.
Quanto ao Incor, o HCI se prepara para implantar mais dois equipamentos com investimento de R$ 7,9 milhões. O primeiro é um angiógrafo, usado para mapear veias e artérias do corpo humano, que permitirá ampliar o atendimento do Serviço de Hemodinâmica. O segundo é uma ressonância magnética, um exame de diagnóstico por imagem que consegue criar imagens de alta definição dos órgãos internos, como coração, através da utilização de campo magnético.


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