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Falta de qualificação dificulta contratação

Postada 24/09/2020



A falta de mão de obra qualificada tem representado um problema para os trabalhadores que buscam uma nova posição no mercado de trabalho e para as empresas. Com 13,7 milhões de brasileiros desempregados, as empresas interessadas em contratar mão de obra estão com seus olhos voltados aos melhores profissionais disponíveis no mercado e, dessa maneira, se sobressaem aqueles que buscam atualização profissional.
“A qualificação sempre fez a diferença. Um curso técnico, um aperfeiçoamento, uma graduação ou até mesmo o Ensino Médio, sempre vão fazer a diferença”, disse o coordenador do Sine de Ijuí, Marcelo Gonzaga. 
Em Ijuí, de acordo com o Sine, de 100 vagas em que a qualificação é um dos requisitos, 30% das oportunidades acabam não são sendo preenchidas por falta de conhecimento técnico dos candidatos. 
“Isso é um gargalo que nós temos no município”, acrescenta o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Antônio Tâmbara. 
Com três escolas técnicas públicas profissionalizantes, três escolas profissionalizantes do Sistema S, uma Universidade, seis faculdades, e empresas que oferecem cursos técnicos, ter vaga para contratação, remuneração atrativa, que em alguns casos o salário técnico supera o de profissionais de nível Superior, o mercado ijuiense segue uma tendência nacional e enfrenta sérias dificuldades para recrutar profissionais de nível técnico. Existem estudos que apontam inclusive que enquanto o percentual de estudantes do Ensino Médio matriculados em cursos profissionalizantes ultrapassa 40% na Alemanha, na Dinamarca, na França e em Portugal, e atinge cerca de 70% na Áustria e na Finlândia, o percentual não chega a 10% no Brasil.
“Temos em média 80 vagas de emprego por dia em plena pandemia e não conseguimos preenchê-las por falta de mão de obra qualificada. Imagine depois da pandemia, quando voltar ao normal, haverá um apagão”, acrescenta o secretário.  
Em 2009, o poder Executivo de Ijuí lançou o programa Ijuí Profissionalizado, que tinha como objetivo incentivar a formação profissional no município. Com recursos dos governos federal, estadual e municipal em parceria com o Senac, o Senai e o Sebrae, centenas de pessoas foram capacitadas em diferentes áreas. Mas, com o passar do tempo, os recursos foram minguando e os cursos também. 
“Eu estou aqui há quase quatro anos e não lembro de ter recebido recursos do governo do Estado e do governo federal para cursos profissionalizantes”, afirma Tâmbara, acrescentando que, visando minimizar esse problema, existe uma proposta, para a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021, de destinar R$ 500 mil para a realização de cursos profissionalizantes, em parcerias com instituições do Sistema S e Unijuí. 
Segundo o presidente da Associação Comercial de Ijuí (ACI), Nilo Leal, a área que mais tem dificuldade de encontrar técnicos é o setor industrial. "Nós últimos 10 anos, a Escola do Senai direcionou 90% das suas atividades para Panambi e esqueceu de Ijuí, tanto que a coordenação regional deixou o nosso município e foi para Panambi. Fizemos inúmeros pedidos de cursos nas áreas de alimentação, beneficiamento de grãos, artefatos de cimentos, marceneiros, eletrotécnicos, mas nunca fomos atendidos", disse, acrescentando que "o Senai de Ijuí segue oferecendo cursos, mas muito insignificantes frente à área industrial do município e o investimento público feito na escola."
O setor empresarial também sente essa dificuldade imposta pela falta de preparo profissional pelos candidatos aos postos de trabalho, a exemplo do Grupo Fricke - Lojas Fricke e Balmer -, que hoje disponibilizam 10 vagas, que não são preenchidas pela falta de qualificação.
Gerente regional do Senai, Rodrigo Ourives afirma que o Serviço tem trabalhado com um modelo regionalizado de cursos e que vai ao encontro do mercado de trabalho. "Em Ijuí, como temos uma indústria mais diversa, que vai desde a erva mate ao setor alimentício, estamos trabalhando cursos de operação logística na aprendizagem industrial. É um curso que trabalha em algo que todas as indústrias têm e nós achamos que se enquadra mais nesta região de Ijuí, devido a essa condição, diferente do que temos em Panambi e Ibirubá, que é uma indústria mais focada no metal mecânico", disse, ressaltando que não tem como atender todas as áreas. "Então, neste formato, quando uma empresa nos procura de Ijuí, e tem um serviço particular, nós conseguimos fazer o atendimento naquilo que nós chamamos de incompany, ou seja, nos customizamos para aquela empresa."
Gerente do Senac de Ijuí, Cláudia Scherer lembra que a necessidade de qualificação é constante na vida de todo trabalhador e que as vagas vão se moldando de acordo com o momento. "Nós precisamos estar em constante qualificação, porque novas competências são necessárias e hoje uma das principais demandas são de gestão de pessoas, desenvolvimento pessoal e áreas de tecnologia." 


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