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Economia

Região tem alta concentração de renda

Postada 14/09/2020



Um estudo publicado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) Social demonstrou que a população de Ijuí possui a maior média salarial entre os municípios que integram a Associação dos Municípios do Planalto Médio (Amuplam). A pesquisa Onde estão os ricos no Brasil leva em conta os dados da declaração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) de 2018, e teve como objetivo definir em quais cidades do País há maior concentração de ricos. Para chegar aos valores do salário médio da população, a FGV analisou o total declarado no IRPF de cada município, dividindo pelo número de habitantes.
Na região, a média salarial de R$ 1,6 mil dos ijuiense é suficiente para colocar a população local no topo da lista de 11 municípios. Em segundo lugar aparece Panambi, com renda de R$ 1,4 mil por indivíduo e em terceiro Pejuçara, com R$ 1,3 mil. “A renda média é baixa, é um pouquinho mais de salário mínimo e meio aproximadamente. Então, no meu ponto de vista é muito baixo. E isso que a renda de Ijuí é maior da microrregião. Tem municípios que eu vi abaixo de R$ 1 mil de salário médio. Então a média é muito baixa”, avalia o analista de mercado, Argemiro Brum.
Nos municípios de Jóia, a média de renda é de R$ 588; Boa Vista do Cadeado, R$ 605; e Bozano R$ 608.  
O ranking do patrimônio líquido médio dos declarantes, os moradores de Pejuçara lideram a lista com média de R$ 317 mil, seguidos de Augusto Pestana, com R$ 292 mil, e Ajuricaba com R$ 241 mil. Os ijuiense neste item possuem patrimônio médio de R$ 238 mil. 
“Nós temos pouca gente com muito patrimônio e, portanto, com  muita riqueza, e uma grande população com pouca renda, o que caracteriza a alta concentração também nesta região, também  uma característica do Brasil, País que é um dos mais concentradores de renda do mundo. Se não é o maior,  está entre um deles, e a região apenas está refletindo isto", ressalta. 
Para Argemiro Brum, o fato da região ter o agronegócio como principal fonte de renda, demonstra uma alta concentração de terras nas mãos de poucos. "A terra está muito valorizada, principalmente porque os produtos agrícolas, em especial a soja, subiram muito de preço e com isso a valorização da terra acompanhou.  Mas são poucas pessoas ( com este patrimônio). Tanto que o salário médio é um salário mínimo no geral, mas quando se olha o patrimônio líquido, ele é enorme em relação ao salário médio. Então isso explica a característica da região", pontua. 
Para tentar equilibrar esta balança e melhor distribuir os recursos,  Argemiro ressalta a importância do Estado em agir e criar leis para cobrar de quem tem mais e diminuir a tributação de quem ganha menos.  "Aí entra a questão da reforma Tributária, que precisamos fazer e cobrar impostos de forma progressiva", afirma. 
Tanto no governo federal quanto no Estado tramitam propostas de reformas tributárias. Segundo o analista, a proposta do governador Eduardo Leite (PSDB) é bem melhor do que a que o ministro da economia Paulo Guedes está propondo. "Na do Estado há certa proposta de distribuição de renda, mesmo que pouca. Mas no que pude observar, mesmo havendo oposições a ela, no geral é uma reforma bem constituída para os padrões que nós temos. A do Brasil deixa muito a desejar, porque é muito mais arrecadatória do que de distribuição de renda", salienta.  
Conforme Argemiro, a proposta  de reforma Tributária nacional deveria ter impostos progressivos, já que historicamente o País tem imposto regressivo, mas isso dificilmente vai mudar, porque, segundo ele,  na prática, nossa estrutura de poder não favorece os mais pobres. "O próprio Congresso Nacional, que vai ter que votar isso em definitivo, é muito comprometido com interesses de todos os lados. E, por enquanto,  pode até votar, fazer um agrado para a população mais carente, porque está próximo das eleições municipais, se caso essa reforma avançar. Mas depois, as coisas são esquecidas rapidamente e retomadas próximas às eleições federais, quando os políticos jogam confetes sobre a população para que ela se contente com isso. A população nossa, por falta de cultura, é muito volúvel e acaba sendo facilmente convencida das coisas, sem raciocinar adequadamente sobre de fato o que está acontecendo. Basta ver agora, bastou o governo largar o auxílio emergencial e as cotações do presidente Bolsonaro subiram", finaliza o analista. 


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