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Saúde

Pesquisa brasileira é valorizada pela OMS

Postada 10/09/2020



A busca por medicamentos que sejam eficazes e seguros no tratamento da covid-19 se tornou uma questão prioritária em todo o mundo. No País, existe a chamada Coalizão Covid Brasil, que é uma aliança interinstitucional de hospitais, redes e centros de pesquisa, que visam avaliar a eficácia de potenciais tratamentos. Segundo o médico intensivista do Hospital Moinhos de Vento e membro do Comitê executivo da Covid Brasil, Régis Goulart da Rosa,  até o momento, foram avaliados três medicamentos, em três estudos publicados em jornais de referência. Ele concedeu entrevista ao Grupo JM e explicou pontos do trabalho.
“O primeiro estudo foi realizado em pacientes hospitalizados, com quadros moderados e leves de covid-19. Nele, a hidroxicloroquina não demonstrou eficácia em melhorar o status clínico dos pacientes. Já o segundo estudo testou a azitromicina, um antibiótico comumente utilizado em infecções bacterianas, que também não demonstrou maior eficácia no tratamento de pacientes com formas graves da doença, que estavam hospitalizados com insuficiência respiratória”, explicou.
Já o terceiro estudo trouxe resultados mais positivos. Nele, utilizou-se um medicamento corticoide, dexametasona, que mostrou que, em pacientes com quadros graves da doença, apresentando insuficiência respiratória, reduziu-se o tempo de ventilação mecânica, numa média de dois dias. “Um desfecho bastante importante, não só do ponto de vista do paciente, que tem o tempo de ventilação reduzido e, com isso, menores chances de desenvolver complicações; mas do ponto de vista econômico. Porque, uma vez que reduzo o tempo a um paciente, consigo fazer ‘girar o leito’, beneficiando um número maior de pessoas”, destacou. 
A pesquisa, como destacou o médico, vem contribuindo, e muito, para a geração de evidência. Ele refere-se não apenas aos medicamentos que podem ser utilizados em determinadas situações, mas também a drogas que não valem a pena fazer parte de um protocolo. “Há medicamentos que não estão demonstrando eficácia, ou se mostraram arriscados por causa de uma maior evidência de eventos adversos, caso da hidroxicloroquina, em pacientes moderados e graves.” 
A contribuição da pesquisa brasileira tem sido tamanha que, na última semana, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou uma diretriz recomendando o uso de corticoides para tratar pacientes da covid-19 com efeitos graves. Como exemplo, o uso da dexametasona, uma medicação com baixo custo. “Ou seja, dados do estudo brasileiro, da Coalizão 3, já estão embasando as próprias recomendações da OMS. Isso é muito importante e valoriza a pesquisa realizada no País”, reforçou Régis.
Como explicou o especialista, só se terá certeza sobre a eficácia e segurança à medida em que estudos clínicos são conduzidos, com metodologia rigorosa. “A Coalizão Covid Brasil conta, atualmente, com aproximadamente 10 estudos. Entre eles, está a própria hidroxicloroquina, no contexto ambulatorial, numa etapa de maior precocidade da doença. Também há um estudo em andamento com o anti-inflamatório tocilizumabe, que atua na resposta inflamatória causada pelo vírus no pulmão. Acredita-se que essa inflamação gera quadros mais graves.”
Em âmbito internacional, já houve testes, inclusive, com o medicamento redensivir, utilizado contra o vírus ebola. Ele demonstrou eficácia em reduzir o tempo de duração da doença em pacientes com covid-19. No entanto, a droga não está disponível no Brasil.


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