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Economia

"O que vai definir a questão econômica é a forma como os governos reagem"

Postada 31/08/2020



Desde que a pandemia de coronavírus atingiu o Brasil, governantes e população passam por um momento delicado na busca do equilíbrio entre saúde e economia. Quarentena significa menos arrecadação, desemprego e falta de suprimentos, inclusive para a saúde. Por outro lado, a liberação total das atividades ocasiona avanço da pandemia e, neste caso, há previsão de colapso do Sistema Único de Saúde (SUS) e hospitais. 
Economista chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo afirma que existem duas crises distintas. Uma na área sanitária e outra na parte econômica. 
“Mas o que vai definir a questão econômica de fato é a forma como os governos reagem, o comportamento dos negócios das pessoas neste momento”, disse em entrevista ao Grupo JM, lembrando que em várias partes do mundo e aqui no Brasil foram implementadas políticas por municípios e Estados de distanciamento social com restrições a atividades econômicas. "Então, essa situação, muito deriva da impossibilidade legal de certos negócios funcionarem. São escolhas, que eu não vou julgar se corretas ou não, que os governos fizeram e a sociedade tem as consequências, tanto do ponto de vista sanitário quanto do ponto de vista econômico." 
Patrícia ressalta que uma das coisas piores que pode acontecer para a economia é o grau de incerteza se elevar. “Quando se tem uma incerteza muito alta, as possibilidades são muito baixas, é como se a gente estivesse andando numa estrada com um nevoeiro. A tendência é diminuir a velocidade e avançar muito pouco. Quando tivemos estes decretos de distanciamento controlado, que acabaram determinando o funcionamento das empresas, dando  percentual  do número de funcionários, este abre e fecha, é óbvio que os empresários vão ter que achar estratégias para minimizar custos e isso elevou o número de pessoas desempregadas."
A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid-19 mensal (Pnad Covid-19), divulgada em 20 de agosto  pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que número de  desempregados no Brasil somava 12,3 milhões de pessoas, em julho. O número foi acrescido de 438 mil pessoas, 3,7% a mais do que o registrado em junho. "No Rio Grande do Sul, de março a julho, foram destruídos mais de 131 mil postos de trabalho formais. Gente que fazia parte do mercado de trabalho, que tinha uma renda garantida e um comportamento de consumo muito mais assertivo do seu recebimento, e  essas vagas foram destruídas. Quanto tempo levaremos para retomar isso? Quanto tempo levaremos para que essas pessoas possam consumir como antes?  Nós temos uma crise sanitária que levou a uma crise econômica", definiu a especialista. 


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