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Economia

Segundo semestre vai consolidar vendas

Postada 31/08/2020



O Rio Grande do Sul perdeu 9,7 mil lojas no segundo trimestre de 2020. O dado foi divulgado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) nesta semana. Para o levantamento, a CNC considera estabelecimentos que geram, ao menos, um emprego. No País, o saldo negativo entre as aberturas e fechamentos ficou em 135,2 mil operações de abril a junho. Foi um recorde, batendo até mesmo a crise de 2015-2016, quando foi registrada o fechamento de 105,3 mil lojas.­ O pior resultado foi identificado em São Paulo, com 40,4 mil pontos de venda encerrando as atividades. Em seguida, estão Minas Gerais, Rio de Janeiro e, então, o Rio Grande do Sul. 
Economista chefe da Divisão Econômica da CNC e responsável pela análise, Fabio Bentes lembra que a crise do setor coincidiu com a edição de diversos decretos estaduais e municipais, que restringiram total ou parcialmente a circulação de consumidores em estabelecimentos comerciais. "Este resultado não poderia ser outro, do que não uma queda bastante significativa com lojas com vínculo de empregatício. Este retrato negativo também se reflete em outras variáveis do setor, como, por exemplo, o volume de vendas, que caiu 12% em relação ao primeiro trimestre e também na geração de emprego. Foram quase 500 mil vagas fechadas", afirma Bentes,  em entrevista ao Grupo JM, ressaltando que, “apesar do grave quadro conjuntural no segundo trimestre, o ritmo de recuperação das vendas no comércio tem surpreendido positivamente, impulsionado por fatores como a intensificação de ações de venda via e-commerce”. A previsão da CNC é que o setor chegue ao fim de 2020 com menos 88,7 mil estabelecimentos, em comparação com o ano passado, totalizando 1,252 milhão de lojas em todo o País.
"A recuperação em "V" do volume de vendas do setor deverá se consolidar já no início do segundo semestre, projeta Bentes. A letra é usada para simbolizar uma forte queda seguida por uma recuperação na mesma intensidade e que ocorre em um curto prazo.
Embora nenhum ramo do varejo tenha registrado expansão do número de pontos de venda entre abril e junho, os segmentos mais atingidos pela crise se caracterizam pela predominância na comercialização de itens considerados não essenciais, como lojas de utilidades domésticas (-35,3 mil estabelecimentos ou -12,9% do total de lojas antes da pandemia); vestuário, tecidos, calçados e acessórios (-34,5 mil lojas ou -17,0%); e comércio automotivo (-20,5 mil ou -9,9%). O varejo de produtos de informática e comunicação foi o segmento que apresentou as menores perdas absolutas (-1,2 mil) e relativas (-3,6%) no número de estabelecimentos em operação.
Apesar do quadro grave do varejo, a recuperação das vendas tem surpreendido positivamente o economista. Ele destaca o menor índice de distanciamento social das últimas semanas, o aumento do e-commerce e, principalmente, o auxílio emergencial que elevou a renda de boa parte da população no período. "Desde junho estamos percebendo uma reação do varejo. O setor já alcançou um patamar muito semelhante aquele que tínhamos antes da crise e início da pandemia. Isso é uma ótima notícia que surpreendeu a todos pela rapidez da recuperação", disse, lembrando que apenas o setor de e-commerce no varejo cresceu mais de 40% neste trimestre todo.   
As projeções para as vendas do Natal também são de aumento, afirma Bentes. 
A pandemia do coronavírus foi declarada na metade de março. Os efeitos na economia se concentraram no segundo trimestre do ano, com impactos sendo amenizados com a retomada das atividades econômicas nas últimas semanas.


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