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Saúde

Com medo, pacientes retardam consultas

Postada 25/08/2020



Não é só a pandemia que tem preocupado os profissionais de saúde. Muitos pacientes com sinais ou com doenças cardiovasculares optaram por adiar suas consultas, com medo de contrair o novo coronavírus. O resultado: muitos acabaram chegando ao hospital com fase mais avançada destas doenças. "Nós orientamos que estes pacientes não deixem de ir à consulta de revisão e nem tardem para procurar ajuda médica diante de sintomas iniciais", destacou o médico cardiologista e coordenador do Instituto do Coração de Ijuí (HCI), Rafael Manhabosco Moraes.
Ao Grupo JM, o especialista explicou por que a covid-19 tem impacto no coração e por que muitos pacientes acabam tendo paradas cardíacas. "A infecção viral inicial acaba provocando, normalmente, sintomas respiratórios, como coriza, tosse e falta de ar. Isso acontece entre o quinto e sétimo dia da doença. Depois, em algumas pessoas, o próprio organismo, quando vai tentar se defender, acaba gerando uma resposta inflamatória exacerbada. E essa cascata inflamatória, junto com a própria infecção viral, acaba ativando receptores, mediadores do nosso organismo, que facilitam uma cascata de coagulação. A partir daí começamos a ter fenômenos de coágulos sanguíneos, trombóticos, que acabam, muitas vezes, lesando órgãos, dentre eles o coração", disse.
Há casos, também, como explica Rafael, de miocardites - inflamações no coração causadas pelo vírus, que podem levar a situações mais complicadas, como arritmias cardíacas, que até podem evoluir para parada cardíaca.
Segundo o médico, é difícil dizer, hoje, em razão do pouco conhecimento que se tem da covid-19, se os pacientes infectados terão sequelas no coração. "Temos conhecimento a curto prazo: manifestações acompanhadas em 10, 15, até 30 dias. Temos percebido que tardiamente há sequelas relacionadas ao sistema respiratório. Mas, quanto ao coração, apenas acreditamos que pode ocorrer, sim."
Alguns casos, como explica Rafael, evoluem com miocardites. E os especialistas sabem, analisando outros vírus, que alguns pacientes ficam com sequelas - apresentam, por exemplo, a perda da função cardíaca a longo prazo. "Com base nisso, acreditamos que podemos, sim, ter complicações futuras em alguns pacientes."
Mesmo em tempo de distanciamento social, a dica do especialista é manter cuidados básicos de saúde, como forma de prevenção. Hábitos de vida saudáveis, com uma boa alimentação, e a regularidade de exercícios físicos. "A atividade física é extremamente importante não só para a saúde cardiovascular, como também para a saúde mental. Nesse período temos muitos relatos de estresse, preocupação, o que, de uma maneira secundária, leva ao aumento da doença cardíaca. A atividade também reforça a nossa imunidade", destaca.


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