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Economia

Briga política barra medidas econômicas

Postada 19/08/2020



As saídas dos secretários especiais de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, e o de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel, do Ministério da Economia, tiveram ampla repercussão no mercado. Não foi a primeira vez que elementos-chave da equipe econômica saíram do governo. Um claro sinal de que algo não vai bem. 
O ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que Mattar saiu porque não consegue, por resistências políticas, avançar nas privatizações. Já Uebel, porque a reforma Administrativa não foi enviada ao Congresso Nacional, embora esteja com o presidente Bolsonaro, desde o fim do ano passado.
Guedes também reconheceu o óbvio: que o controle da agenda política não é dele. Só faltou reconhecer outra realidade: a agenda de reformas tampouco é controlada pelo presidente Jair Bolsonaro.
A saída dos dois secretários foi interpretada por membros da área econômica como um baque na agenda liberal do governo. A avaliação é que o principal problema, que deve se intensificar com o tempo, é a reeleição presidencial.
 “Toda a agenda liberal do ministro Guedes e, particularmente, a agenda de reformas e restruturação do déficit público estão em questão neste momento, porque a saída dos secretários e assessores do ministro estão se dando porque as pessoas que saem começam a perceber que, apesar dos esforços do ministro, não deverá sair a contento o ajuste fiscal como se pensava. Há um grande risco, inclusive pós-pandemia, de continuar havendo gastos em demasia, no estilo populista dos governos Dilma e Lula, comprometendo totalmente o saneamento fiscal do País.  Isso já pensando no caso do governo Bolsonaro, em reeleição”, disse o analista de mercado Argemiro Brum. 
O economista João Roberto Borim avalia a situação como sendo mais uma disputa  política do que econômica. "Mas o que me parece é que tanto o presidente Bolsonaro quanto o ministro Paulo Guedes querem manter o Brasil na linha , não gastando mais do que arrecadam."
A equipe econômica, montada pelo ministro Paulo Guedes e empossada em janeiro de 2019, no início do governo Jair Bolsonaro, já passou por pelo menos sete trocas em cargos estratégicos. O primeiro a pedir demissão foi Joaquim Levy, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ainda em  junho de 2019.


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