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Rural

Estado vira zona livre de aftosa sem vacinação

Postada 13/08/2020



O Rio Grande do Sul recebeu, na noite de terça-feira, o reconhecimento do Ministério da Agricultura como zona livre de aftosa sem vacinação. O aval consta em Instrução Normativa assinada pela titular da pasta, Tereza Cristina, e foi publicado ontem no Diário Oficial da União. Conquista também estendida ao Paraná, Acre, Rondônia e regiões dos Estados do Amazonas e de Mato Grosso.
As determinações do documento entram em vigor a partir de 1º de setembro. Além disso, a conquista dentro de casa habilita os gaúchos a fazerem a solicitação da progressão de status sanitário para a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). A previsão é de que o pedido seja feito até amanhã. 
Ao Grupo JM, o presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Gedeão Pereira, destacou que foi um longo debate até esta decisão. “Nas últimas duas semanas, reunimos as entidades e analisamos todos os pontos, positivos e negativos, a respeito desta possibilidade, que é, na verdade, um programa nacional do governo federal. Na terça-feira, mesmo, nos reunimos virtualmente com os sindicatos rurais e realizamos uma votação: dos 79 representantes presentes, 44 manifestaram apoio ao processo de retirada da vacinação contra a febre aftosa e 35 foram contrários. O que não significa que nós, produtores rurais, não estejamos unidos”, afirmou.
A partir do reconhecimento pelo Ministério, a Secretaria comunica a mudança para a OIE, que concede a certificação da evolução do status sanitário, abrindo portas para mercados não acessados pelos criadores gaúchos. Técnicos e especialistas apontam que a retirada da vacinação tem potencial de abrir mercados como Japão, Coreia do Sul, México, Estados Unidos, Chile, Filipinas, China (carne com osso) e Canadá. No setor dos suínos, a expectativa é de que haja um incremento nas exportações na ordem de R$ 600 milhões anuais.
“A ministra Tereza Cristina manifestou satisfação com a decisão. Claro que ainda há um ritual a ser cumprido. A OIE será comunicada e, possivelmente na sua reunião anual, que ocorrerá em maio de 2021, acatará e normatizará estas regiões”, completou.
Segundo Gedeão, ainda não é possível visualizar vantagens com este reconhecimento, especialmente na pecuária de corte. “Neste momento, claro. Mas temos situações promissoras, especialmente com Japão e Coreia do Sul, que são grandes importadores de carne bovina e que observam as regiões que não vacinam. Na concepção deles, se vacinam, é porque há problemas virais. A medida, acredito, deverá abrir perspectivas para novos mercados, tanto para a carne bovina quanto para a suína”, disse, afirmando que a expectativa é que o reconhecimento tenha impacto no bolso dos produtores rurais.


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