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Consumo de álcool e drogas é acentuado

Postada 31/07/2020



O setor de saúde, de forma geral, sofreu impactos significativos em razão da pandemia de covid-19. E no Centro de Atenção Psicossocial de Ijuí – Álcool e Drogas (Caps AD) não foi diferente. Segundo a psiquiatra Caroline Tissot, num primeiro momento houve uma redução drástica na procura por consultas. “Entre os meses de março e abril, a equipe acabou se reorganizando para receber os pacientes, de uma forma mais segura e tranquila – seja nos consultórios ou nos grupos. Mas muitos pacientes, assustados e com medo de se infectar, acabaram abandonando o tratamento”, explicou, ressaltando que, entre os meses de junho e julho, esse quadro mudou consideravelmente.
“A procura tem sido muito grande. Inclusive, percebemos que pacientes que tinham terminado ou abandonado o tratamento nos anos de 2016, 2017, voltaram a nos procurar. Isso se deve não apenas a casos de recaída, mas ao aumento dos sintomas de ansiedade e depressão, causados pelo período em que vivemos”, destacou a médica.
Mesmo antes da pandemia, havia uma preocupação com a depressão e a ansiedade, que acabam ocasionando aumento no consumo de álcool e outras drogas. “Na busca pelo alívio de sintomas, as pessoas acabam fazendo uso de alguma substância. Num primeiro momento os pacientes relatam alívio, mas a gente sabe que o uso está diretamente ligado à piora do humor e à piora do quadro”, comentou, lembrando que uma grande pesquisa foi realizada no Canadá, recentemente, e apontou um aumento de 26% no consumo de bebidas alcoólicas pela população, durante o período da pandemia. As causas são diferentes, mas os homens, por exemplo, ligaram o consumo ao tédio. As mulheres, ao alívio do estresse e da ansiedade. 
“Cada pessoa faz uma relação diferenciada do uso da bebida, de outras substâncias. E isso é um problema, que precisa ser investigado, abordado e acompanhado”, afirma,  destacando que, pelo relato dos pacientes do Caps AD, o mesmo cenário visto no Canadá pode ser analisado em Ijuí. “Tivemos pacientes que estavam em abstinência e que tiveram recaída; pessoas que não faziam uso abusivo e que aumentaram o consumo de substâncias durante este período. Mas não temos uma pesquisa no município. Conseguimos observar esse quadro pelos atendimentos que realizamos.”
A equipe aumentou a busca ativa e passou a realizar mais visitas aos pacientes, para que o tratamento não seja deixado de lado neste período. “Sentimos que precisamos estar mais presentes. Estamos até mais atuantes que em outros períodos, pela necessidade, pela gravidade da situação”, reforça.
O Caps AD funciona das 8h às 12h e das 13h30 às 17h30. A sede fica localizada ao lado do novo Hospital Bom Pastor.


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