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Economia

Novo imposto poderá reduzir consumo no País

Postada 27/07/2020



O ministro da Economia, Paulo Guedes, insiste em emplacar a ideia de recriar a CPMF “com nova roupagem”, sobre transações eletrônicas, para ser uma compensação para a desoneração da folha. Contudo, de acordo com especialista ouvido pelo Grupo JM, a proposta, em vez de ajudar na retomada da economia, pode reduzir o consumo no País.
A proposta do Executivo ainda não está clara, pois não foi colocada à mesa para ser estudada, apesar de Guedes estar prometendo entregá-la há um ano. O economista João Roberto Borin considera a CPMF, seja qual formato for, prejudicial para a retomada da economia e que, pelas estimativas do mercado, deverá encolher 6,4% em 2020, ante os 4,7% projetados pelo governo. 
“Quando se aumenta a tributação, para qualquer nível e atividade, na prática se gera um desequilíbrio a curto prazo na economia, porque os consumidores e a famílias vão pagar um preço mais alto do que vinham pagando sem imposto. As empresas vão receber um preço menor daquilo que estavam vendendo, porque também precisam pagar o tributo. Portanto, isso gera um peso morto na economia, que é a redução de consumo e oferta a curto prazo. Por outro lado, o Estado fica mais rico."
No entanto, segundo Borin, o aumento da tributação é necessária neste momento, para repor os rombos nas contas públicas do País nos últimos 15 anos. 
“Qualquer tributo é prejudicial, mas, hoje, a curto prazo, não se tem o que fazer. A solução seria aumentar o PIB (Produto Interno Bruto), mas nós temos dois problemas sérios no Brasil para resolver, que são a covid-19, que segundo o Ministério da Economia, vai fazer com que o PIB caia 4,7% neste ano; e a poupança que o brasileiro fez e que foi para fora do País, e acabou não sendo investida em produção, segurança, educação e saúde no Brasil", disse, ressaltando que a tributação terá que vir para cobrir este furo. “Também não podemos esquecer que nos governos de Dilma e Lula, o Brasil mandou para fora em torno de R$ 3,5 trilhões. Isso é mais ou menos meio PIB. Como se faz para recuperar isso? Ou se aumenta a produção, que não é o caso deste ano, ou se aumentam  os impostos. A solução, infelizmente, é o aumento da tributação para cobrir o furo dos últimos 15 anos”, acrescentou. 
Para Borin, a demora para a reforma Tributária acontecer no Brasil ocorreu porque os governos passados defendiam o “Estado grande”. 
“E se eu defendo um Estado grande, é preciso recursos, portanto, eu jamais faria uma Reforma Tributária que reduziria os tributos. Hoje, nós temos um governo que pensa um pouco diferente. Tem que sobrar mais dinheiro no bolso dos consumidores e dos empresários, e reduzir o que o governo abocanha. Fazendo isso, aumenta o consumo da famílias e os investimentos das empresas. A produção cresce mais e a arrecadação vem depois. Mas isso é uma decisão da sociedade brasileira. Ela que vai ter que decidir", finaliza o economista. 


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