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Saúde

Incorporação da imunoterapia é recomendada

Postada 24/07/2020



Neste mês, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, recomendou a incorporação da primeira imunoterapia no Sistema Único de Saúde (SUS), para tratamento de pacientes com melanoma metastático - estágio avançado do câncer de pele, que se espalha para outros órgãos do corpo. Uma vitória para a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) que, desde 2016, concentra seus esforços para introdução de imunoterápicos no SUS.
Oncologista da Sociedade Brasileira e membro do Comitê de Tumores de Pele e Sarcomas, o médico Rodrigo Guedes explicou, ao Grupo JM, que a imunoterapia é uma medicação desenvolvida em laboratório, que quando injetada no ser humano, ajuda a reforçar a própria imunidade. “A imunoterapia não é um tratamento direto contra o câncer, mas, sim, um medicamento que estimula a imunidade para atacar o tumor”, destacou o especialista, lembrando que a imunoterapia é eficaz no tratamento de vários tipos de tumores – localizados no pulmão, na bexiga, rim, cabeça e pescoço, por exemplo. No entanto, pacientes com melanoma metastático só têm a imunoterapia e um tipo de terapia-alvo para recorrer. “Nestes pacientes, é um desserviço continuarmos oferecendo a quimioterapia, que não é eficaz”, reforçou.
A quimioterapia é um dos tratamentos tradicionais contra o câncer. Por meio dela, são utilizados medicamentos que atacam as células na sua divisão. No entanto, tanto as células boas quanto as cancerígenas são atacadas. Também há as chamadas terapias-alvo, que inibem uma parte específica do tumor. 
“O melanoma é classicamente resistente à quimioterapia tradicional. Até meados de 2011, tínhamos apenas este tratamento e resultados que ficavam aquém do esperado, além de uma alta taxa de mortalidade entre aqueles que tinham melanoma metastático. Nos últimos anos, percebemos que os pacientes têm uma resposta maior à imunoterapia. Que uma parcela deles, entre um terço à metade, consegue viver de forma prolongada, podendo, inclusive chegar à cura, o que não era observado anteriormente”, afirmou o médico.
Há uma resistência em incorporar a imunoterapia no SUS em razão dos altos custos, como destaca Guedes. Ele explica que todo desenvolvimento de medicamentos, principalmente os mais modernos, envolve anos de pesquisa e, consequentemente, um investimento muito grande da indústria farmacêutica. A indústria, por sua vez, acaba incorporando os gastos nos preços dos remédios. “O que nós tivemos foi uma recomendação da Comitec, mas será necessário discutir o valor, agora, que precisa caber na guia de medicamentos de alto custo do SUS. Portanto, é preciso que ocorra uma negociação entre o Sistema Único de Saúde e a indústria farmacêutica, para que ocorra uma redução dos preços. A incorporação ainda precisa passar pelos órgãos competentes.”
Hoje, a imunoterapia está disponível por meio de protocolos de pesquisa, sistema privado e através de planos de saúde regidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Segundo o especialista,  o custo por paciente pode variar e até depende da negociação entre as clínicas e as distribuidoras. “Mas posso dizer que o custo de uma dose pode variar entre R$ 20 e 25 mil. Uma das doses é necessária a cada duas semanas; outra, a cada três semanas. Por mês, portanto, o custo é bastante elevado por paciente", reforça.
Guedes acredita que, como o melanoma metastático não é uma doença tão comum, é possível que a incorporação ao SUS não ocorra de uma forma tão lenta.


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