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Saúde

Pandemia pode dificultar doação de órgãos no País

Postada 23/07/2020



A pandemia do novo coronavírus trouxe questionamentos e incertezas às equipes que trabalham no processo de doação de órgãos. Ao Grupo JM, a coordenadora da Central de Transplantes do Estado, Sandra Coccaro, disse que, já no mês de março, uma webconferência foi realizada com o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), a fim de se estabelecer condutas frente à nova realidade. “A preocupação iminente da Central era a validação dos doadores frente a tantos questionamentos. Com o advento dos testes, o panorama começou a melhorar. No entanto, a quantidade de testes, os tipos de exames adequados para nossos doadores e receptores, e o tempo entre o início do processo e a captação dos órgãos tiveram que ser minuciosamente estudados”, destacou, lembrando que a nova Norma Técnica 34/2020 foi apresentada, colocando o teste de RT-PCR como um critério de exclusão para covid-19.
No Estado, segundo ela, a situação da doação com órgãos transplantados vem se mantendo estável, em comparação com o último ano. Em 2019, de março a junho, foram 64 doações; enquanto que neste ano o número fechou em 63.  Em relação ao número de contraindicações médicas pela covid-19, o Estado teve 14 casos suspeitos, com duas confirmações no primeiro semestre deste ano.
 Em Ijuí, foram três captações neste ano e três protocolos abertos, que não evoluíram para doação de órgãos, em função de contra indicações.
Há receio, segundo a coordenadora da Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott) do Hospital de Caridade de Ijuí (HCI), Camila Fernanda de Moura Fetsch, de que o aceite, por parte das famílias, seja mais complicado a partir de agora, com o novo protocolo. “Devemos ter uma redução do número de doações em razão de UTIs superlotadas, de voos limitados e do medo das pessoas que estão na fila de espera, em se contaminar. Mas, como nos próximos protocolos teremos que realizar o teste, isso pode gerar uma demora entre a abertura do protocolo e a extração dos órgãos.  Temos receio que as famílias não queiram esperar por este processo”, disse.
A pandemia também tem prejudicado a realização de formações continuadas com a equipe, como aponta Camila. Mas a ideia é que, o mais breve possível, programas sejam organizados, pela Cihdott, com o intuito de sensibilizar a comunidade para a importância da doação de órgãos. Até março, segundo Camila, 26,8 mil pessoas estavam na fila de espera por um órgão no País; mais de 24,8 mil aguardam por um rim.


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