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Economia

Crise incentiva a prática da educação financeira

Postada 20/07/2020



A população como um todo necessita de uma reeducação financeira, haja vista o grande número de pessoas que enfrentam diariamente problemas com o mau uso do dinheiro, ou a falta dele por inúmeros motivos. Tal afirmação pode ser confirmada pelo número recorde de inadimplência no Brasil. O número de consumidores inadimplentes ultrapassa 64 milhões segundo dados da Serasa. A administradora, educadora financeira e analista comportamental, Marinês Mainardi em entrevista ao Grupo JM afirma que a educação financeira surge como a saída para esses, e problemas futuros. 
Em meio à crise econômica e ao desemprego, a educação financeira possibilita que as pessoas tenham uma nova atitude em relação às finanças. “As pessoas estão percebendo aos poucos que é necessário um planejamento, mas este comportamento vem enraizado a bastante tempo e acaba prejudicando as pessoas num curto prazo. Então, elas ainda não tiveram a sensibilidade de perceber a importância desse planejamento para não passarem por situações desagradáveis”, relata Marinês.
A educadora financeira ressalta que até pouco tempo a educação financeira era tratada com muito número e planilhas, e segundo ela, quem tinha facilidade de números, acabava fazendo com que as pessoas achassem que não conseguiriam cuidar das suas finanças.  “Esse paradigma aos poucos está sendo quebrado, frisando que a educação financeira é muito mais comportamental do que ciência exata. Então, fica muito fácil para as pessoas conseguirem entender os números e a partir deste processo realizar a educação financeira da sua vida”.
De acordo com ela, no atual cenário a tendência é aumentar o número de inadimplentes no País. “O que leva ao descontrole financeiro, é que nós temos uma taxa Selic de 2,25% ao ano, sendo que as taxas cobradas pelo banco e pelos cartões de crédito chegam até 100% ao ano. Se a pessoa não consegue pagar uma dívida, depois prorroga, ela acaba entrando em uma roda que não consegue mais sair. Paga dez vezes o valor da dívida do cartão e continua devendo”, ressalta.
Ela orienta que a pessoa que está endividada deve elaborar um diagnóstico, ou seja, anotar todos os gastos diários. “A pessoa deve pegar um caderno e anotar tudo que ela gasta por dia, e estes gastos devem ser anotados por categoria, sendo que no final de 15 dias, será possível analisar onde está indo os gastos, se é no mercado ou em lanche, onde a torneira está aberta de maneira exagerada, assim não terá apenas números e sim informações de onde deve começar a reduzir os gastos, lembrando que o ideal é guardar 10% do que se ganha”, explica Marinês. 
Segundo ela, a educação é muito simples, não é necessário ter conhecimento necessário em números. "O primeiro é fazer uma lista com todas as dívidas e vencimentos, e assim ir eliminando dívida por dívida, não adianta pagar um pouco de cada, pois assim não se consegue quitar nenhuma e fica na mesma roda, é preciso ver qual dívida tem o maior juro e ir quitando por essa ordem.”
A educadora financeira informa ainda que a falta de dinheiro traz problemas de saúde, diminuição da produtividade no trabalho e também uma propensão maior à separação ou ao divórcio, em termos familiares. "A educação financeira precisa de autoconhecimento, onde os integrantes da família precisam saber qual a sua situação de momento e para onde querem seguir, ou seja, quais os seus sonhos, quais as suas necessidades? Evitar as compras desnecessárias, os gastos desnecessários. O consumo deve ser efetivado com consciência."


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