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Saúde

Automedicação tem consequências à saúde

Postada 13/07/2020



O pânico causado pelo novo coronavírus tem levado muitas pessoas às farmácias, em busca de medicamentos que possam tratar ou simplesmente prevenir a Covid-19. Não é de hoje, no entanto, que a população recorre à automedicação para tratar qualquer mal-estar. Mas essa prática é bastante perigosa, conforme alerta a coordenadora do curso de Farmácia da Unijuí, Christiane Colet.
“De acordo com a classificação brasileira, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), temos medicamentos sem tarja, que podem ser comprados sem qualquer orientação; e remédios com tarja preta ou vermelha, adquiridos somente com prescrição médica e que têm um risco maior.  Mas, independente de ser tarjado ou não, indicado ou não por um profissional, toda medicação possui efeitos colaterais e pode causar riscos ao usuário, se utilizada de forma inadequada ou por pessoas que tenham alguma doença. Um paciente com problema renal, hepático, com cardiopatia, pode ter risco mesmo utilizando um medicamento simples”, explicou a coordenadora.
O conhecido Paracetamol pode gerar uma cirrose medicamentosa se utilizado em excesso ou por paciente com problema hepático. “O idoso, por exemplo, tem várias doenças de base, como hipertensão, diabetes e colesterol. Em consequência disso, acaba fazendo uso de vários remédios. Quando, além deles, toma mais medicamentos por conta própria, para tratar algum sintoma de dor ou infecção, está correndo riscos. Dentro do organismo, os medicamentos têm capacidade de fazer uma interação, ou seja, de gerar uma reação prejudicial. Eles podem diminuir ou aumentar o efeito do remédio que já é tomado, e ainda causar efeitos colaterais graves”, disse, destacando que integrantes do grupo de risco devem, sempre, buscar auxílio de um profissional para não ter problemas de saúde. “Lembrando que um sintoma pode estar mascarando uma outra doença que precisa de um tratamento mais avançado.”
O grande número de farmácias, na avaliação da coordenadora, não leva à automedicação da população. Inclusive, é algo benéfico, já que há um número maior de farmacêuticos à disposição para auxiliar. Mas ela acredita que as políticas de propaganda e de descontos podem, sim, agravar esta prática.
“Quando falamos em medicação, precisamos evitar de recomendar a outra pessoa ou aceitar a indicação de um remédio. Temos diferenças genéticas, de peso, de idade, que podem mudar a resposta farmacológica ao tratamento”, completa.
Hoje, as farmácias locais têm presenciado uma alta procura e até a falta de medicamentos considerados milagrosos na cura e prevenção da Covid-19, segundo Colet. Nenhum, a exemplo da hidroxicloroquina e da ivermectina, tem comprovação científica. “A hidroxicloroquina surgiu com a perspectiva de ser um tratamento inovador e, em contrapartida, acabou nas farmácias. Mas estudos mostram que os riscos se sobrepõem ao benefício. Tanto que a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um alerta pedindo para suspender qualquer estudo e utilização.” 
Quanto à ivermectina, um antiparasitário, ele foi testado apenas em células e não em humanos. “Não há qualquer estudo científico de qualidade que mostre o seu benefício. As pessoas precisam ter muita cautela porque estes dois medicamentos são utilizados para outras finalidades terapêuticas." Ontem, a Anvisa informou que não recomenda o uso do remédio no tratamento da doença.


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