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Saúde

Pandemia agrava situação da oncologia

Postada 07/07/2020



A narrativa de que a pandemia do novo coronavírus é o único problema de saúde, atualmente, ignora as centenas de pacientes com câncer que precisam de atendimento. Segundo entidades de apoio a pacientes com câncer, o Conselho Nacional de Saúde e a Defensoria Pública da União, existe uma falta de respostas a demandas urgentes para agilizar o diagnóstico e o tratamento de pacientes oncológicos. Esse pedido de socorro das entidades é muito anterior à pandemia e só tem se agravado.
Segundo a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) e suas 70 organizações associadas, as demissões e a prolongada falta de um ministro da Saúde que conheça a grave situação da oncologia têm prejudicado as ações e o planejamento dos centros de atendimento e de seus profissionais de saúde. Faltam orientações claras, a criação de hospitais livres de coronavírus, manutenção de exames, consultas e sequência do tratamento do paciente com câncer.
“As duas trocas de ministro da Saúde durante uma pandemia como essa são lamentáveis e muito prejudiciais para a continuidade do já escasso diálogo com representantes de grupos de pacientes e sociedades de profissionais da saúde. A cada mudança, é como se o ministério fosse reinicializado, trazendo inconstâncias a diversos outros cargos e ações já em andamento. Começa tudo do zero. Essa situação deixa desorientada toda logística para as demais áreas da saúde, como é o caso da oncologia. Os pacientes não podem esperar o jogo político ficar mais ameno para cuidar de si e tratar do câncer. Além das longas filas de espera por todos os tipos de atendimento e da falta de acesso à tecnologia necessária, a pandemia expôs o que os pacientes há muito denunciavam: carência de investimento no SUS e no atendimento de oncologia”, afirma a médica Maira Caleffi, presidente voluntária da Femama e chefe do serviço de mastologia do Hospital Moinhos de Vento.
Esse alerta das entidades do setor tem como objetivo dar voz a todos os pacientes que estão em casa, seja por falta de informação, orientação ou por medo de contrair a Covid-19. Hoje, temos três tipos de pacientes enfrentando realidades diversas: os invisíveis, que percebem alterações no corpo e buscam atendimento na rede pública, mas não conseguem agendar consulta médica ou exames de diagnóstico; os que estão em tratamento e que tiveram cancelamentos em atendimentos, sem previsão de retorno; e os que estão com medo em virtude da falta de informação e optam por ficar em casa, sem procurar a rede de saúde.
“Nós, da Femama, como entidade do terceiro setor, temos um papel fundamental na busca por melhorias no sistema de saúde, impactando positivamente toda a jornada do paciente com câncer, visando facilitar o acesso ao diagnóstico ágil e tratamentos adequados nos sistemas público e privado de saúde. Em vista deste cenário e sem referências no governo Federal, nos questionamos quem está olhando para o câncer no Brasil paralelamente ao coronavírus. Precisamos de respostas efetivas do poder público. Na história de 14 anos de atuação na defesa dos pacientes, a Femama nunca presenciou um retrocesso tão grande como esse. Necessitamos garantir os avanços conquistados nos últimos anos, resultado do diálogo contínuo entre as diferentes esferas do governo, sociedade civil e comunidade médica” destaca a presidente da Federação.
A entidade reforça seu compromisso com a população brasileira ao pressionar o governo para dar respostas efetivas sobre a saúde no Brasil e aguarda medidas coerentes para garantir os avanços conquistados nos últimos anos.







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