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"Tudo foi desmascarado pela polícia"

Postada 30/06/2020



Em novo depoimento concedido para a Polícia Civil no último sábado, Alexandra Dougokenski, de 33 anos, mudou novamente a versão dos fatos e confessou que matou o filho Rafael Mateus Winques, de 11 anos, por estrangulamento, se utilizando de uma corda. Ela mudou a versão que vinha sustentando até então, de que não teve intenção de matar o filho, em Planalto. 
Em coletiva de imprensa, o diretor de investigações do Departamento de Homicídios, Eibert Moreira Neto, relatou que a confissão confirma o que a polícia estava detectando, e descartou a participação de mais uma pessoa no crime.
Segundo o delegado, a investigação aponta que Alexandra era uma pessoa extremamente perfeccionista e metódica, que gostava de dominar a situação com os filhos e as pessoas do convívio dela.
“Tudo aquilo que saía da normalidade, que corria fora das regras estabelecidas por ela, se tornava uma situação de extremo incômodo. Detectamos isso especialmente no dia da reprodução simulada dos fatos, observando o comportamento dela. Quando nos demos conta de que a conduta dela era essa, focamos a investigação no comportamento dela”, disse Eibert.
De acordo com a Polícia Civil, o inquérito policial será finalizado nos próximos dias. 
"Nossa prova é robusta, nós fizemos um levantamento muito preciso da conduta dela. Isso estava nos levando para a conclusão da motivação. Com isso, nós encerramos esse trabalho. O inquérito continua tramitando”, atestou Eibert.
Menino morto por estar acordado
A acusada revelou aos investigadores que, por volta da meia-noite do dia 15 de maio, deu dois comprimidos de Diazepam ao filho, após tê-lo repreendido por passar diversas noites em claro mexendo no celular. O objetivo da mãe era que o menino dormisse. Alexandra foi para cama. Porém, por volta das 2h, ela acordou, retornou ao quarto e Rafael ainda estava acordado, mesmo após a ingestão do medicamento:
“Naquele momento, ela perdeu o controle da situação e resolveu de fato estrangular ele. Porque ele estava de forma reiterada desobedecendo as suas ordens. Fica extremamente claro como ela fez, diferentemente de tudo o que ela tinha dito até então. Dessa vez, ela contrapôs a versão dada na reconstituição e também no primeiro depoimento. Além disso, trouxe claramente a motivação”, detalhou o diretor de investigações do Departamento de Homicídios, Eibert Moreira Neto em coletiva de imprensa após o depoimento. 
Na nova versão, Alexandra diz que, ao perceber que o filho estava acordado, ela foi até a área de serviço, pegou a corda, preparou a laçada e voltou até o quarto para asfixiá-lo. O menino se debate, cai no chão e sofre uma lesão na costela, confirmada pelo laudo de necropsia. 
“Ela diz que quando deu o laço, o menino asfixiou e caiu. Quando ele cai, ela sai do quarto e deixa ele asfixiando. Depois de um tempo ela retorna e vê que ele desfaleceu. Ela então vai ao quarto dela, pega uma sacola plástica, pois não consegue olhar para o rosto dele. Com essa sacola, cobre o resto do menino, pega ele no colo e transporta até a casa vizinha, onde sabia que tinha uma caixa”, relatou Eibert. 
A Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul assumiu a defesa técnica da suspeita. O dirigente do Núcleo de Defesa Criminal (Nudecrim), defensor público Andrey Regis de Melo e a dirigente do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem), defensora pública Liseane Hartmann, responderão pelo caso. O advogado Jean Severo – o qual disse ao Grupo JM que deixaria o caso se Alexandra estivesse mentindo novamente – abandonou a defesa. Em um vídeo divulgado aos meios de comunicação, após o depoimento, Severo e mais um advogado questionaram Alexandra que disse que foi coagida. 
Com atuação no Caso Bernardo, delegada fala sobre a investigação
A delegada Caroline Bamberg Machado, a qual atuou no caso Bernardo Boldrini, e que auxilia nas investigações da morte de Rafael, apontou semelhanças entre os homicídios: a idade da vítima e o fato dos acontecimentos ocorrerem no âmbito familiar. 
A autoridade policial, que atua em Cruz Alta, explica como está sendo investigar o caso.
“Há muita comoção e pressão da comunidade para que a polícia descubra o que aconteceu. Temos que agir e trabalhar de forma mais cuidadosa ainda porque, por muitas vezes, as pessoas colocam suas opiniões que, para nós chega como uma informação. Então são cuidados a mais que temos que ter na apuração, o que tumultua um pouco a investigação”, destacou. 
Sobre o vídeo divulgado pela então defesa de Alexandra, a qual disse que houve coação por parte da Polícia Civil, Caroline disse que isso é algo comum de acontecer. 
“A gente sabe que a defesa vai tentar de todas as formas desqualificar o trabalho da polícia e entendemos como algo normal. A defesa vai ‘espernear’ de todas as formas, mas o ato em si em Porto Alegre (interrogatório) foi todo ele gravado e não tem nada que possa ter credibilidade nessa nova gravação dela”, disse. 
Sobre o que levou a mãe a confessar a morte do filho, a delegada observou que tudo o que Alexandra havia falado, foi desconstituído pela polícia. 
“Tudo foi desmascarado pela polícia. Ela não teve muita opção a não ser confessar. E, ainda, aliado ao fato, a confissão é uma atenuante. Colocamos isso para ela junto com os advogados. Então, provavelmente ela deve ter decidido quanto a isso e falar como aconteceu”, concluiu. 


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