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Educação

"Nada substitui o professor", diz coordenadora

Postada 30/06/2020



A pandemia do novo coronavírus provocou uma situação sem precedentes em diversos segmentos da sociedade. Um dos mais afetados é a Educação. O efeito da suspensão das aulas devido à Covid-19 pode ser sentido de forma diferente entre os níveis de ensino em Ijuí.  A orientação, em diversas escolas, é para o uso das tecnologias no ensino e aprendizagem. Contudo, as aulas a distância e as plataformas digitais são as ferramentas mais usadas quando se trata de Ensino Superior. Na Educação Básica, o cenário é diferente. A fase de alfabetização, por exemplo, é vista como uma das mais difíceis de se transpor para o ambiente virtual.
De acordo com especialistas, o período para se alfabetizar pode começar tanto aos 4 anos quanto aos 7 anos. Cada criança tem o seu próprio ritmo. O processo passa por quatro diferentes fases: pré-silábica, silábica, silábica-alfabética e alfabética. Ao passar por cada etapa, a criança constrói a escrita e passa a perceber que a palavra é composta por letras e símbolos, e quando as sílabas são unidas ganham um significado.  
A suspensão das aulas tem deixado não só as famílias, mas também os professores angustiados e aflitos pela descontinuidade do processo do ano letivo. 
A coordenadora pedagógica da 36ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Eveline Eberle, em entrevista ao Grupo JM, disse que o ensino a distância é desafiador e nada substitui a presença do professor, que é essencial no aprendizado."O período de alfabetização requer muita dedicação e paciência. Dentro da sala de aula se torna mais fácil, por se tratar do incentivo por parte do professor, mas também e, principalmente, por parte dos outros colegas. Alfabetizar a distância é mais complicado, pois mesmo que o professor prepare a aula para o aluno, como eles são muito pequenos ainda, os pais têm que ajudar e incentivar a aprendizagem", explica.
Na rede estadual de ensino, 355 estudante fazem parte do ciclo de alfabetização em Ijuí. "Desde que surgiu toda essa situação de pandemia, começamos a pensar e a construir alternativas para que todos os estudantes tivessem acesso ao conhecimento, contato com a escola e que continuassem com o mínimo ritmo de estudos. O foco desde o início da pandemia é garantir os processos de aprendizagem. Os professores estão fazendo o máximo de esforço para manter os alunos motivados, e estão trabalhando com aulas programdas, ou seja, eles organizam o material e encaminham aos alunos", explica a coordenadora pedagógica, orientando que a rotina precisa ser trabalhada todos os dias. "As crianças precisam de orientação. A presença do professor e do aluno em sala de aula é essencial. Nada substituiu o professor neste processo de alfabetizar. Essa relação e troca entre professor e aluno é importante."
A Coordenadoria de Educação  tem acompanhado o material que é encaminhado pelas escolas aos alunos. "Os professores têm buscando metodologias que combinam o sistema online com o offline, que é o chamado ensino híbrido. Estamos na implantação do Google Sala de Aula (Classroom), que vai ser algo mais próximo do estudante, porque ele vai enxergar o professor, vai ter contato, mesmo que não presencial."
Neste processo, há a defesa de um ano sem reprovações. No entanto, Eveline explica que ainda é muito cedo para se ter uma definição, pois as aulas podem retornar, ainda este ano. "Neste novo processo, com certeza ficarão algumas lacunas, mas há muitas situações em que os alunos estão progredindo. Eles têm se desafiado, e isso é muito melhor do que se não estivesse ocorrendo nada. Todo o processo tem avanço, sim, mas não como se estivessem no presencial. Mas as lacunas serão sanadas nos próximos anos. Estamos trabalhando com muita serenidade e responsabilidade para garantir o ano letivo e, com certeza, a avaliação não será com tanto rigor. Neste ano teremos uma aprendizagem diferente, com mais autonomia."


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