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Economia

Queda na Selic favorece sistema bancário

Postada 29/06/2020



A taxa Selic entrou recentemente para um patamar inédito ao ser reduzida a 2,25% ao ano, menor percentual da série histórica do Banco Central (BC), desde que iniciada em 1986. O Conselho de Política Monetária (Copom) fez um corte de 0,75% da taxa, principal instrumento do BC para equilibrar a inflação oficial brasileira e aquecer a atividade produtiva. Desde outubro de 2016, essa foi a oitava redução seguida da Selic, que dita os juros básicos da economia. 
Neste momento de pandemia, a necessidade de crédito se faz ainda mais emergente, sua liberação pelos bancos está dificultada e os juros, em alguns casos, aumentaram, como afirma  o professor doutor em economia, Argemiro Jacob Brum.
De acordo com ele, a prospota da redução da Selic é fortalecer e levar uma reação econômica por meio da redução dos juros em geral, mas isso não tem acontecido, pois os juros do cheque especial, do crediário e do cartão de crédito seguem com índices de mercado e bem superiores. Em contrapartida,  a redução da taxa impacta diretamente nos investimentos dos brasileiros, como a poupança - aplicação com maior adesão da população."Com isso, a taxa favorece os bancos, que vão acumular mais dinheiro, pois a Selic baixando, eles repassam  redução para os juros que eles pagam nas aplicações que os brasileiros fazem na poupança e demais ativos. Portanto, o rendimento cai significativamente a tal ponto que, na atual Selic, alguns rendimentos já estão com ganhos reais muito próximos ou atingiram um nível negativo em relação à inflação", disse o especialista. 
A Selic é a taxa básica de juros da economia no Brasil, utilizada no mercado interbancário para financiamento de operações com duração diária, lastreadas em títulos públicos federais. O valor é obtido pelo cálculo da taxa média ponderada dos juros praticados pelas instituições financeiras e serve de referência para o pagamento de empréstimos entre os próprios bancos.  Desde outubro de 2016, a  taxa caiu 84%. Naquele ano, a Selic era de 14,5%. 
Para o professor, a redução é  contraproducente neste momento para a economia, principalmente considerando a realidade brasileira  que vive os efeitos da pandemia da Covid-19, com a paralisação da economia. "No momento em que o Brasil precisa que a população saia às compras para fazer reagir a economia, ela também tem na Selic uma redução do seus rendimentos. E isso inibe o consumo, porque diminui os recursos em mãos da população e o banco sai ganhando, porque na hora em que ele empresta o dinheiro, o juro  continua altíssimo."
Nesta semana, o Banco Central  afirmou que a projeção do spread dos bancos em 2020 deve continuar nos mesmos patamares do ano anterior, quando registrou 21,53%. Em compensação, a poupança será que 1,58% ao ano. 


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