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Política

Burmann é contrário a reforma nas carreiras

Postada 23/06/2020



O governador do Estado, Eduardo Leite, tem realizado encontros com representantes sindicais e já admite o desejo de encaminhar projetos sobre a revisão das carreiras à Assembleia Legislativa, ainda neste primeiro semestre. Deputado estadual do PDT, Gerson Burmann, em entrevista ao Grupo JM, reafirmou seu posicionamento contrário a reformas que mexam na carreira dos servidores públicos estaduais, a exemplo do que já foi feito.
Segundo ele, o principal problema do Brasil é a concentração de renda. Em 2012, os mais riscos respondiam por 7% do PIB, no ano passado, esse índice saltou para 17%. "Se pegarmos os cinco maiores bilionários do País têm o equivalente à parte mais pobre. Defendemos que isso seja comba-tido. Precisamos, a nível de País, de um reforma Tributária urgente. Hoje, quem mais paga imposto é o que ganha menos", exemplifica. "Quem ganha dois salários mínimos metade acaba indo para imposto, porque a receita tributária incide sobre o consumo que é alimentação, medicamento, vestuário, transporte, aluguel, justamente onde as classes baixas e média gastam seus recursos. Nos países desenvolvidos tributam 75% a mais a renda, os juros e o patrimônio do que o Brasil. Se não mudarmos a incidência da carga tributária para aqueles que ganham mais, continuaremos tendo as desigualdades."
Em sua análise, as reformas atingiram justamente quem ganha menos, agravando o problema, já histórico no Brasil, a exemplo da reforma da Previdência, conforme Burmann. "Ao longo dos anos ocorrerá um achatamento das receitas. As pessoas vão se aposentar e irão ganhar menos. Para conseguir integral terá que trabalhar 40 anos. É uma série de empecilhos que vai reduzir sim a renda daquele que vai se aposentar de agora em diante."
Sobre as propostas que serão apresentadas, Burmann acentua ainda não ter conhecimento, salientando que, dentro do que já foi apresentado, o PDT se posicionou contrário à reforma das carreiras. "Prejudica todo o funcionário público estadual. E foi aprovado pela Assembleia Legislativa, em contrapartida tínhamos isenções fiscais que não são nada transparentes. Toda essa reforma que prejudicou o funcionalismo público, acabou economizando para o Estado R$ 1,9 bilhão, mas, somente nas isenções fiscais abre mão de R$ 10 bilhões."
O Rio Grande do Sul historicamente enfrenta problemas nas finanças públicas, sem capacidade de investimentos, e, agora, ainda pior com a pandemia. A ajuda emergencial do governo federal ao Estado mal pagou parte das contas. Questionado sobre a falta de atuação do governo central em relação aos Estados, Burmann afirmou categoricamente que há falta de atuação do governo central.
"Agora a União está tentando fazer acordo com o governo do Estado, que abriu mão ao longo da história, por ser Estado produtor, de receitas, e a União ficou de compensar a Lei Kandir", disse sobre a necessidade de diferenciação no tratamento dos Estados por parte da União, priorizando aqueles que são produtores. "Esse socorro não substitui nem a receita que Estado e municípios estão perdendo. A compensação financeira feita pela União não tem sido suficiente para cobrir a queda de arrecadação."


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