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Brasil gasta acima da média com pandemia

Postada 02/06/2020



Desde o início de fevereiro, quando dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) modelos E-190 VC2, da Embraer, decolaram de Brasília para resgatar um grupo de brasileiros retido em Wuhan, na China, os gastos do governo com a pandemia não pararam mais de crescer.
Segundo a Secretaria Especial da Fazenda, ligada ao Ministério da Economia, o governo já liberou até agora, em quatro meses, um total de R$ 334,4 bilhões - o equivalente a 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todas as riquezas produzidas no País - para prevenção e combate ao coronavírus e para atenuar os efeitos sociais e econômicos da crise. A conta inclui o pacote de R$ 60 bilhões para auxílio a Estados e municípios aprovado pelo Congresso no início de maio e sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro na semana passada.
Mas quanto deste total foi aplicado diretamente em ações sanitárias e de saúde? Qual foi o gasto efetivo realizado até o momento pelo governo no enfrentamento da pandemia propriamente dita? Como os recursos estão sendo aplicados na área?
Para responder a essas perguntas, dados dispersos no balanço mais recente do Ministério da Economia foram garimpados, números técnicos da Fazenda foram checados, além de análises em  medidas provisórias editadas em série para liberar os recursos necessários ao enfrentamento da peste.
De acordo com o levantamento, o governo já liberou até agora o equivalente a R$ 54,5 bilhões (16,3% do total) para ações sanitárias e de saúde, contando os R$ 10 bilhões reservados à área no pacote de ajuda aos entes da Federação e mais R$ 5,6 bilhões dos quais o governo abriu mão, com as desonerações tributárias de medicamentos e produtos médicos e hospitalares promovidas pela equipe econômica. Deste total, a maior parte é de "dinheiro novo", que "brotou" para o País fazer frente à pandemia (cerca de 2/3). O resto veio de remanejamentos de verbas já programadas no Orçamento de 2020 (1/3).
Diante das mais de 25 mil mortes registradas oficialmente no País em decorrência do vírus, de mais de meio milhão de pessoas infectadas e do drama vivido por suas famílias, qualquer quantia parece insuficiente. Mas, levando em conta as limitações do orçamento, se é que se pode falar nisso agora, quando mais de mil doentes estão morrendo por dia, o volume de recursos liberado pelo governo para a Saúde equivale a quase duas vezes o gasto anual com o Bolsa Família, de R$ 30 bilhões. Equivale, ainda, a cerca de 40% do Orçamento original do Ministério da Saúde para todo o ano de 2020.
 "Estamos acima da média (de gastos) praticada pelos países avançados (na pandemia)", afirma o secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues. "Não estamos numa concorrência de quem gasta mais. Mas precisamos considerar o estado social do Brasil, com um número muito alto de vulneráveis."
Nesse contexto de geração de riquezas, o resultado da agropecuária aparece com destaque, uma vez que se desenvolve acima da média do PIB brasileiro. A soja é o carro-chefe da agropecuária brasileira - R$ 1 em cada R$ 4 da safra brasileira em agropecuária é de soja. Para este ano de 2020, a previsão é de R$ 700 bilhões na safra total. Desses, R$ 170 bilhões é soja.
A agropecuária adicionou R$ 120 bilhões ao PIB neste primeiro trimestre. O valor representou 6,6% do total de R$ 1,8 trilhão e é o maior valor nominal trimestral até agora. A participação do valor adicionado da agropecuária no PIB total, que era de 5,3% no primeiro trimestre de 2019, subiu para 6,6% neste ano.
Quando analisado em outro cenário, o setor teve uma evolução de 1,9% nos três primeiros meses, quando comparado o desempenho atual com o de igual período de 2019.
A agropecuária continua dando suporte ao PIB nacional, mas as taxas já são em ritmo menor. No primeiro trimestre deste ano, a evolução foi de 0,6%, em relação ao quarto trimestre de 2019, quando a agropecuária tinha recuado 0,4%.
O setor agrícola, contudo, é o único que mantém evolução positiva em todas as comparações feitas pelo IBGE. Nos últimos quatro trimestres, o setor teve evolução positiva de 1,6%, em relação aos quatro anteriores.
Embora o PIB da agropecuária apresente taxa positiva, o setor não está imune aos efeitos da pandemia provocada pela Covid-19.


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