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Saúde

Acúmulo de problema coloca Saúde em xeque

Postada 18/05/2020



O Ministério da Saúde apresentou, nesta semana, Boletim Epidemiológico sobre o coronavírus. Conforme os dados, o País tem mais da metade das cidades com casos confirmados e quase 20% dos municípios têm mortes por causa da doença.
"Estamos em uma vertical, em uma ascendência no número de óbitos confirmados, mostrando que a situação epidemiológica é de alerta em todo o Brasil", explica o secretário substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Macário.
Ao menos quatro Estados brasileiros já têm mais de 90% dos leitos de terapia intensiva (UTIs) destinados a pacientes com Covid-19 ocupados. Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará e Roraima são os que vivem situação mais grave - o número muda diariamente. Outras regiões já começam a preocupar, com ocupação acima de 60%, como o Rio Grande do Sul.
"A ocupação, embora não seja considerada elevada, é elevada em todo o Estado", afirma o presidente do Conselho Estadual de Saúde, Cláudio Augustin.
Em entrevista ao Grupo JM, ele fez uma breve análise da situação no Estado, que, nos primeiros dias adotou medidas drásticas, conseguindo achatar a curva de contaminação e ganhando tempo para preparar o sistema de saúde. Entretanto, ele pondera que, nesse período, o Estado não conseguiu efetivamente melhorar as condições de atendimento, e aponta a flexibilização nas medidas de isolamento social como um sério risco à saúde pública.
"Poucas ações concretas no sentido de garantir que as pessoas não precisem de UTIs. Houve um processo de flexibilização do isolamento social, com isso, aumentaram os casos de contaminação e de internações."
Ele destaca que, inicialmente as pessoas contaminadas pela Covid-19 estavam no grupo de menor poder aquisitivo, em pontos localizados do Estado, e contraíram o vírus por contato com indivíduos que viajaram. Nesse caso, o processo de isolamento e controle era maior. Mais tarde, ocorreu a contaminação comunitária, que ampliou o leque, e hoje há disseminação da doença pelo interior do Estado, principalmente entre as camadas mais populares e com menor capacidade de isolamento social e, em muitas situações, com dificuldades de acesso a saneamento básico, por exemplo.
"O quadro que estamos assistindo é de disseminação em todo o Estado. A utilização das UTIs, em algumas regiões, entre 70% e 80%, que aparentemente estão em situação de conforto, não é verdadeira em meu entendimento, porque qualquer surto faz com que aquilo se transforme rapidamente em desassistência", frisa o presidente do conselho. "Não estamos conseguindo aumentar o número de leitos, nem de UTIs, significativamente. Em minha avaliação, será muito difícil fazer isso."
Na região de Ijuí, em que há ocupação de 77% dos leitos de UTI, qualquer surto se torna uma situação trágica. "Por isso, temos que continuar com o isolamento social, a fila para o atendimento significa morte. Temos que evitar a contaminação de qualquer forma. Várias pessoas vão morrer, mas temos o dever de evitar ao máximo, para dar tempo de melhorar as condições. Não se sabe se não vai virar uma endemia."
Para Augustin, mesmo que o Estado consiga transformar alguns leitos em UTI, com respiradores, há outro problema: a falta de profissionais capacitados a operar esses equipamentos. Isso porque, segundo ele, profissionais intensivistas não são formados  de uma para outra. "É um processo complexo, que exige muito estudo e treinamento", acrescenta. "Não temos uma estrutura de fiscalização da Vigilância Sanitária adequada para este momento. Pouca ação política efetiva para isso. Estamos em uma guerra com um inimigo invisível."
Além disso, a falta de EPIs eleva os riscos de contaminação destes profissionais, exigindo atuação urgente por parte dos governos.
No Brasil, entre os enfermeiros, as mortes oficialmente confirmadas e as suspeitas somam 108, segundo o Conselho Federal de Enfermagem; 4.128 foram contaminados pelo novo coronavírus.
A gravidade da situação é clara na comparação com alguns países europeus. Lá, os números são referentes apenas a enfermeiros: 108. A Espanha perdeu 42, entre enfermeiros e médicos. Na Itália, houve 79 mortes de médicos e enfermeiros, somados.
Os números do Brasil são piores até mesmo do que os dos Estados Unidos, o epicentro da doença. Lá, 27 enfermeiros e médicos morreram.
"É um processo extremamente doloroso que estamos vivendo e tem que tomar as providências para garantir a segurança e a vida desses profissionais, porque senão, não teremos quem nos atenda, seja por Covid-19, ou outras situações."
Diante de toda essa situação, Augustin reforça o isolamento social rigoroso, e pontua que a situação é pior do que parece, uma vez que envolve todo o sistema único de saúde, para além do coronavírus. 
Exemplo disso, é que muitos agentes comunitários de saúde enfrentam problemas no combate à Dengue, porque a população não permite a entrada nas residências por medo da Covid-19. "Temos que ter uma ação efetiva de controle, ampliando à Dengue, na região próxima a Ijuí, porque estaremos juntando coronavírus, Dengue e H1N1, e tem gente achando que é uma gripezinha e está tudo resolvido. Estamos no início da pandemia, a curva está ascendente e levará tempo para reduzir. Conseguimos com o isolamento tempo, que não estamos usando de forma adequada, com processo de flexibilização e falta de recursos. Temos poucos EPIs aos profissionais. O processo de contaminação é geométrico. Há uma necessidade concreta de aumentar os leitos hospitalares, as UTIs, mas há também uma necessidade de recursos e de ação mais efetiva no conjunto da sociedade."


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