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Creas alerta sobre combate ao abuso sexual

Postada 18/05/2020



Na próxima segunda-feira marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, instituído pela Lei Federal 9.970/00. A data marca a luta pelos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes no território brasileiro.  Esse dia foi escolhido, em razão de que, em 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória (Espírito Santo), um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o “Crime Araceli”.  Esse era o nome de uma menina de oito anos, que teve todos os seus direitos humanos violados. Esse crime, apesar de sua natureza hedionda, até hoje está impune. A intenção da data é mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar dessa luta.
Este ano novamente se faz necessário falar sobre o tema, mesmo neste momento em que está sendo marcado pela pandemia do novo coronavírus, que ceifa vidas e coloca as pessoas reclusas em casas e amedronta a população.
Em meio a tantos apelos a população do mundo inteiro para que adotem medidas protetivas, a equipe do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Ijuí lembra a comunidade que a violência em todas as suas formas também pode ser prevenida, evitada e, quando isto não for possível, ela pode ser superada.
"A possibilidade de sermos contagiados pela Covid-19, ou que alguém que nos é próximo seja, gera em nós um sentimento de insegurança. Mas o que isto tem a ver com a luta de 18 de maio? O que há de comum é o medo, a insegurança, o perigo, o ceifar de vidas. A violência sexual gera para, além disto, a constante falta de esperança, a dificuldade em vislumbrar, planejar e organizar os sonhos e projetos futuros", afirma a psicóloga do Creas Seomara Menegazzi.
 Em Ijuí, as vítimas de violência, sejam elas: idosos, pessoas com deficiência, mulheres, crianças e adolescentes são atendidos preferencialmente no Centro de Referência que, através de acompanhamento especializado às vítimas de violência, trabalha com a busca do rompimento do ciclo da violência, ou seja, que haja reorganização, que ocorra superação da situação sofrida. "Trabalha-se com a perspectiva que as vítimas possam dar continuidade as suas vidas, construindo sua história com dignidade", acrescenta a coordenadora do Creas e assistente social Maria da Graça Nunes. 
Em 2019, o Creas realizou 428 atendimentos, dos quais apenas em torno de 16% representa crianças e adolescentes vítimas de abuso ou exploração sexual, num total de 71 casos. "Cabe salientar que nem todos estes casos de abuso sexual foram comprovados, isto é, alguns casos se configuraram como falsas acusações, em situações de instauração de Alienação Parental, em disputas familiares. Também foram constatados casos em que ocorre abuso de incapaz, ou seja, situações em que, por exemplo, uma menina de 12 ou 13 anos mantém relacionamento sexual com adolescente de 16, 17 anos", explica Maria da Graças. 
No ano passado, o Creas também registrou um percentual elevado de denúncias de negligência, em relação a todo o público atendido. "Estas denúncias permitem que o trabalho seja realizado, em alguns casos ou situações, antes que a violência sexual ocorra, através de orientações ao agente protetor, mãe, pai, avós, familiares, de mobilização da Rede de Proteção do Município, de aplicação de Medidas de proteção por parte dos órgãos competentes".
O Creas de Ijuí iniciou suas atividades em 2006 e, desde então, vem realizando campanhas de conscientização sobre o tema violência, em especial as alusivas ao dia 18 de maio. A partir destas tentativas de conscientizar a população sobre os efeitos nocivos ao desenvolvimento global do sujeito que repercutem de um abuso sexual sofrido ou da exposição a situações de exploração sexual é notável a diminuição do número de casos, ano após ano. "Neste sentido ressaltamos a importância de, mesmo sem ser viável a realização de um evento físico em alusão ao 18 de maio, em darmos visibilidade ao tema violência sexual, grifando as palavras prevenção, cuidado e proteção", afirma a coordenadora.
Seomara Menegazzi ressalta ainda que em tempos de “Fique em casa” é possível perceber dois movimentos: a possibilidade de aumento de situações de violência física e psicológica pelo momento de estresse e ansiedade que os núcleos familiares estão vivenciando. Por outro lado, o ficar em casa pode ser uma oportunidade de aproximação dos adultos com as crianças e adolescentes, fortalecendo os vínculos afetivos e criando um espaço de confiança e segurança no qual a violência sexual encontra dificuldades em instaurar-se. "A violência sexual é um processo que, na maioria dos casos, acontece dentro de casa e, é antecedida pela negligência, que pode ser familiar ou comunitária, ou seja, pela falta de cuidado e proteção".


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