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Atividades econômica têm efeitos do câmbio

Postada 18/05/2020



Após registrar alta em janeiro e fevereiro, o Índice de Desempenho Industrial  (IDI-RS), divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul  (Fiergs), teve uma queda recorde de 10,2% em março, feitos os ajustes sazonais. Consequência da pandemia do novo coronavírus, que provocou uma crise na atividade industrial gaúcha.
"A gente vinha recuperando na indústria em janeiro e fevereiro. A partir da metade de março a pandemia começou agravar, o processo de distanciamento social começou intensificar, várias indústrias optaram pelas férias coletivas, paralisaram totalmente as atividades, e isso teve impacto grande no desempenho, registrando uma queda recorde", analisa o economista-chefe da Fiergs, André Nunes de Nunes, em entrevista ao Grupo JM.
Esses resultados mostram que os custos econômicos para conter a disseminação da pandemia, ainda que de forma parcial, levaram a indústria a um declínio em velocidade e profundidade sem precedentes. Com a demanda fraca e os impactos das restrições, a queda deverá se intensificar em abril, podendo ter novos recordes negativos.
Nunes cita dois dos principais impactos na indústria gaúcha: queda intensa no faturamento em 72% das indústrias, devido à pandemia; e, no médio e longo prazo, o cancelamento de pedidos - 56% das indústrias já sentem este reflexo. "Isso impacta não só na rentabilidade das empresas, mas também no emprego, gerando uma crise na oferta, e impactando na demanda. Na medida em que a atividade econômica para como um todo essa riqueza deixa de circular."
Questionado sobre o impacto do dólar sobre as exportações, Nunes destacou que, no curto prazo e para a situação econômica atual, a moeda americana desvalorizada é ruim, porque representa aumento de custos às empresas numa diminuição de rentabilidade, de margem de lucros. "Quando há uma desvalorização cambial o impacto inicial é negativo, mas acaba sendo bom no longo prazo, porque indústrias e empresas fazem novos contratos com câmbio mais favorável e com rentabilidade maior."
 Economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo pontua que duas questões incidem sobre o câmbio: razões externas, como o choque na economia americana provocado pela crise do coronavírus, com risco de taxas de juros negativas, e o cenário interno,  com diversos fatores, entre eles a falta de habilidade em lidar com a crise do coronavírus, que acabará fazendo com que o País sofra os efeitos negativos por mais tempo.
"Tivemos recentemente a queda de juros no Brasil e a perspectiva é de que tenha que baixar ainda mais, e quando os juros baixam há tendência de fazer o câmbio aumentar. Muitos recursos que estavam aqui aplicados buscavam o diferencial de juros com relação ao exterior, com a redução haverá efeito colateral relevante", explica Patrícia. "E, obviamente a crise política instalada no Brasil, com todas as questões relacionadas às denúncias de [Sergio] Moro ao deixar o Ministério da Justiça."
Patrícia acentua ainda que a valorização cambial é muito ruim. "Em uma situação normal, olharíamos nossos exportadores, com o câmbio desvalorizando dá competitividade a nossos produtos e com isso vendemos mais. Mas, vivemos uma situação hoje no mundo. Basicamente a atividade econômica mundial deu uma freiada brusca. Às vezes, é melhor ter produto caro, mas com consumidor com renda para comprar, do que produtos em promoção, como é o caso do produto brasileiro no mercado internacional, e a gente não tem demanda para ele."
Nunes concorda com Patrícia, de que, nesse momento, o mercado externo está pouco comprador, diante de uma crise econômica global, em que quase todas as economias terão queda recorde. "Mesmo que a desvalorização cambial torne nosso produto mais competitivo, diversas outras economias tiveram suas moedas desvalorizadas, o consumo em termos globais diminuiu. Então, mesmo que estejamos vendendo um produto mais barato, a quantidade será muito menor. Não vemos uma perspectiva tão boa para esse câmbio desvalorizado, neste momento."
 A exportação não é desvinculada da importação e isso se torna um problema para a indústria nacional.  Com os custos aumentados e uma demanda profundamente deprimida fica difícil repassar preço, e com isso, as margens começam a ficar cada vez menores.
"De maneira geral o patamar de câmbio é negativo ao setor industrial. Para o comércio, que é basicamente um revendedor e age somente na importação, é péssimo, e para a agropecuária que poderia estar ganhando mais, temos o problema da seca que diminui a quantidade de produtos à venda, mas também temos que lembrar que existe hoje a necessidade de compra de insumos, também regida por esse câmbio mais alto. Além dos efeitos naturais de uma pandemia que aumentam as incertezas, temos pitadas derivadas de uma crise política, que poderíamos evitar, aumentando ainda mais a incerteza na economia, fazendo com que o câmbio chegue a esses patamares." 


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