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Saúde

"Vida é feita de escolhas, e eu escolhi sair", diz Teich

Postada 18/05/2020



Após pedir demissão do cargo, o ex-ministro da Saúde Nelson Teich não explicou o motivo de sua saída ontem e disse que deu o melhor de si à frente do cargo.
"A vida é feita de escolhas, e hoje escolhi sair. Dei o melhor de mim nos dias em que estive aqui nesse período. Não é uma coisa simples estar à frente de um ministério como esse", afirmou.
Teich pediu demissão de manhã após ouvir um ultimato do presidente Jair Bolsonaro para que mudasse o protocolo para a administração de cloroquina a pacientes com coronavírus.
O Ministério da Saúde indica o medicamento apenas para pacientes graves e críticos internados em ambiente hospitalar. Bolsonaro, porém, defende que o remédio seja indicado também em casos leves, mesmo sem comprovação científica de eficácia.
Em pronunciamento no auditório da pasta, ele agradeceu a equipe de secretários e fez um aceno a representantes de estados e municípios na saúde, com quem teve embates no cargo. "A missão da saúde é tripartite, e isso é uma coisa importante de deixar claro. O Ministério da Saúde vê isso como verdadeiro e essencial. É um momento em que o país inteiro luta pela saúde", disse. 
Em seguida, agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro, dizendo que "seria muito ruim" para sua carreira não ter tido a oportunidade de atuar no Ministério da Saúde.
"Não aceitei o convite pelo cargo, mas porque achava que poderia ajudar o Brasil e as pessoas."
Ele afirmou ainda ter sido “criado no sistema público”, em uma referência à formação e residência médica em universidades e hospitais públicos.
A declaração representa uma tentativa do ministro em rebater críticas de que teria pouca experiência na gestão do SUS. Teich atuou na maior parte dos últimos anos no setor privado. Nos 27 dias em que esteve à frente do cargo, Teich teve seu poder como ministro minimizado por Bolsonaro. A divergência sobre o protocolo do uso da cloroquina no combate ao coronavírus, porém, foi considerada a gota d'água para a queda dele. Teich, porém, vinha defendendo que uma eventual mudança na recomendação do ministério só ocorreria após a conclusão de estudos científicos.
"Cloroquina hoje ainda é uma incerteza. Houve estudos iniciais que sugeriram benefícios, mas existem estudos hoje que falam o contrário", disse o ministro, em 29 de abril. 
Na última segunda-feira  em mais um episódio deixou clara a falta de sintonia durante entrevista coletiva no Planalto, Teich foi surpreendido ao vivo com a notícia de que o presidente ampliara o número de atividades consideradas essenciais durante a pandemia, para incluir barbearias, salões de beleza e academias esportivas. O ex-ministro se mostrou surpreso e virou motivo de memes difundidos na internet.


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