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Bolsonaro anuncia fim das reuniões ministeriais

Postada 14/05/2020



O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse ontem que seu ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, "se equivocou" ao dizer que houve menção à Polícia Federal na reunião ministerial de 22 de abril.
Os depoimentos prestados por Ramos e o general Augusto Heleno, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), conflitam com a versão de Bolsonaro sobre a citação à PF no encontro de ministros.
Segundo eles, Bolsonaro mencionou o nome da PF ao cobrar relatórios de inteligência. Na terça, Bolsonaro declarou em entrevista: "Não existe no vídeo a palavra Polícia Federal, nem superintendência. Não existem essas palavras".
A declaração foi reiterada de maneira contundente ontem, quando ele afirmou que "vão cair do cavalo sobre o vídeo".
"Eu não falo Polícia Federal. Não existem as palavras Polícia Federal em todo o vídeo. Não existe a palavra superintendência. Não existe a palavra investigação sobre filho. Falo sobre segurança da família e meus amigos. Ou você acha que não há interesse em fazer uma maldade com um filho meu?"
Bolsonaro disse que sua segurança pessoal e de sua família é responsabilidade do GSI e que, por isso, dirigiu-se a Heleno e não ao então ministro da Justiça, Sergio Moro, a quem a PF é subordinada, no momento da cobrança.
"Não falei o nome dele [de Moro] no vídeo. Eu falei a minha segurança pessoal no Rio de Janeiro. A PF não faz a minha segurança pessoal, quem faz é o GSI. O ministro é o Heleno", disse o presidente.
De acordo com Ramos, na reunião de 22 de abril, Bolsonaro "se manifestou de forma contundente sobre a qualidade dos relatórios de inteligência produzidos pela Abin [Agência Brasileira de Inteligência], Forças Armadas, Polícia Federal, entre outros”?.
"Vocês precisam estar comigo", disse Bolsonaro, de acordo com o depoimento do ministro Ramos. 
O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, disse que Heleno, Ramos e o ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto, que também prestou depoimento à PF na terça-feira, falam a verdade.
"Quem alinha discurso é bandido. Homens de honra, como Augusto Heleno, Braga Netto e Ramos, falam a verdade e cumprem a missão", escreveu Mourão em sua conta no Twitter. ?
Diante dos desdobramentos da reunião de 22 de abril, Bolsonaro  anunciou que não realizaria mais reuniões do conselho do governo, colegiado que reúne todos os ministros.
Segundo Bolsonaro, as reuniões agora serão individuais. Uma vez por mês. Bolsonaro também afirmou que, por ele, o vídeo da reunião do dia 22 pode ser divulgado, mas apenas o trecho que é alvo do processo.  
A gravação, ainda sob sigilo, é parte do inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre as acusações de interferência na Polícia Federal que Moro fez a Bolsonaro.


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