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Economia

Corte na Selic surpreende o mercado

Postada 11/05/2020



A redução de 0,75% na taxa básica de juros promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira foi considerada agressiva e surpreendeu  analistas e mercado. Com a nova redução, a taxa de juros chegou a 3% ao ano e foi ao menor patamar desde 1999, quando entrou em vigor o regime de metas para a inflação.
A leitura é de que Copom deixou a porta aberta para um novo corte na próxima reunião de política monetária, em junho, e que os sinais de fraqueza da economia provocados pela pandemia da Covid-19 pesaram na decisão de promover um ajuste na Selic maior do que o esperado.
"A surpresa é que cortou mais do que o mercado esperava, na maioria dos casos. A ideia era de que talvez viesse um corte de 0,5%. Mas o problema continua sendo o mesmo. Uma coisa é o juro básico, outra é o juro real", avalia o economista, professor da Unijuí, Argemiro Brum, acrescentando que a redução não chegará ao bolso do consumidor. "Já não chegava antes suficientemente, mas a diferença de redução era mínima, quando ocorria, e agora mais ainda, porque os bancos, em vez de reduzir os juros, aumentaram durante a pandemia sob a alegação tradicional, aspecto técnico, de que o risco aumentou, inadimplência sobretudo e com isso o juro sobe como proteção, contrariando a intenção do Copom de animar a economia."
Nos últimos dias, os indicadores mostraram que os efeitos do coronavírus na economia brasileira têm sido intensos. Em março, a produção industrial despencou 9,1% na comparação com fevereiro, segundo o IBGE. Foi o pior desempenho para o mês desde 2002, quando teve início a série histórica.
Em comunicado, na quarta-feira, o próprio Banco Central reconheceu a piora da atividade econômica. Por ora, com toda essa fraqueza, os analistas já estimam que o PIB deve recuar perto de 4% em 2020. "Da forma como as coisas estão, sou mais otimista, e mantenho a expectativa de um PIB negativo ao redor de 5% a 6%, mas potencialmente é possível, em continuando a situação de paralisia da economia por mais tempo em função do coronavírus, ocorrer um desastre maior ainda." 
A dificuldade de promover um corte mais profundo da Selic nos próximos encontros do Copom se dá pela incerteza com cenário fiscal do País. Para uma economia em desenvolvimento, o Brasil já é considerado um País bastante endividado e que agora lida com a pressão de ter de aumentar os gastos públicos para dar conta de ajudar empresas e famílias a superarem a crise provocada pela pandemia.
Nesse sentido, Brum pondera que, o corte na taxa básica pode ser benéfico ao governo, já que grande parte da dívida pública, que representa cerca de 90% do PIB, está indexizada a juros da Selic, poderá ser reduzida nominalmente, aliviando um pouco. "No ano passado, ultrapassou R$ 4 trilhões e continuava crescendo, então, a redução do juro básico permite a redução dos juros dessa dívida. É o ponto, por enquanto, positivo."
Ainda em entrevista ao Grupo JM, o economista reforça que esse corte não chega às empresas e consumidores. "Não tem tido muito efeito no sentido de animar a economia."
Com a atividade já passando pelo que parece ser a maior queda trimestral já registrada, e as empresas quase incapazes de vender seus bens e serviços, a inflação não é mais uma ameaça que impediria mais flexibilização monetária.
Até agora, Roberto Campos Neto, presidente do banco, descartou a compra generalizada de títulos, dizendo que qualquer ação seria semelhante à sua intervenção cambial em tempos de forte estresse no mercado.


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