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Economia

Entidades apontam passos para retomada

Postada 05/05/2020



Desemprego em nível recorde, diminuição da capacidade produtiva da economia devido ao fechamento de empresas e a piora das contas públicas devem compor o quadro da economia brasileira após a crise do coronavírus. A intensidade dessa piora do cenário econômico vai depender da efetividade das medidas emergenciais que têm sido adotadas pelo governo.
Em meio às incertezas que a Covid-19 provoca ao redor do mundo e às dificuldades impostas pela estiagem prolongada no Rio Grande do Sul, os diferentes segmentos da atividade econômica têm projeções e alternativas para minimizar os efeitos da pandemia na saúde financeira de empresas e pessoas físicas.
Para o vice-presidente regional da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Flávio Haas, a retomada da atividade econômica – com motores da indústria a pleno vapor – passa pelo aumento do consumo das famílias. "Ainda teremos uns 60 ou 90 dias com reflexos negativos desta pandemia. A retomada deverá começar após este período."
Haas explica que as empresas precisarão atuar de forma muito consciente na gestão financeira de seus negócios para manter o fôlego nos próximos meses. Efeito inegável da paralisação da economia entre o fim do mês de março e início de abril, a desaceleração da produção e do consumo imprime consequências diretas na produção. “Estamos esperando o auxílio de crédito para viabilizar a manutenção de empregos e permitir a retomada dos processos fabris das empresas”, disse.
Para a indústria, a movimentação do coronavírus durante o mês de maio deve ser decisiva para que sejam traçadas as estratégias econômicas do setor.
Com o fechamento das lojas, por conta da pandemia, a funcionalidade deste sistema econômico foi quebrada, gerando um efeito em cadeia que acabou comprometendo negativamente praticamente todas as atividades produtivas, com reflexo na empregabilidade.
O presidente da Junta Governativa da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS), Márcio Martins, acredita que o Dia das Mães poderá acenar como uma recuperação da atividade no setor. "Especialmente no Rio Grande do Sul, a retomada tem fortes chances de ser liderada pelas lojas de artigos do vestuário, dada a aproximação do inverno e a alta sazonal de consumo neste ramo, em função da comemoração."
O dirigente aposta ainda que os demais ramos do varejo tendem a seguir uma lógica similar de recuperação. “Evidentemente, aqueles que atuarem mais proativamente na atração de clientes, via promoções, liquidações e outras medidas de marketing, estarão mais próximos de reconquistar os patamares de vendas anteriores à crise causada pela pandemia." O agronegócio é uma das principais atividades gaúchas - os prejuízos acumulados do setor são ligados à forte estiagem -, com capacidade de se recompor rapidamente. A atividade rural tem na composição da economia do Estado papel de destaque. A riqueza gerada no campo faz o dinheiro circular com o produtor, que movimenta as cadeias de serviço e comércio, que, por sua vez, impulsionam a indústria a produzir mais.
O desemprego gerado com a crise econômica da pandemia afetará o setor supermercadista. A euforia de compras gerada no início do período de isolamento social passa agora à aquisição daquilo que é essencial, reduzindo parte do volume de vendas das lojas.
Assim como os demais segmentos do varejo, supermercados terão que se reinventar, segurar preços e oportunizar o consumo para manterem-se economicamente em crescimento até o fim do ano.
Se a alimentação torna-se um consumo essencial às pessoas, independentemente da situação econômica e financeira de crise ou de crescimento, a área da habitação igualmente é um setor essencial - com ou sem pandemia, todos precisam de um lugar para morar.
Economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo conta que enquanto alguns segmentos registraram uma queda significativa, como comércio de vestuário e calçados, que reduziu em mais de 70% o faturamento, produtos de higiene, alimentação e medicamentos equilibraram a conta, com aumento nas vendas. Ela explica que é dever do segmento pensar alternativas que primem pela preservação da vida, mas que deem condições de viabilizar a volta do consumo para movimentar a economia.


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