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Saúde

Pesquisa alerta para infectados assintomáticos

Postada 04/05/2020



Ijuí não registrou nenhum teste positivo para Covid-19 na segunda etapa da pesquisa que avalia o avanço da doença no Rio Grande do Sul. E isso mostra, segundo o reitor da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) e coordenador do estudo, Pedro Hallal, que o município está num estágio inicial neste processo. “É um bom resultado para a comunidade de Ijuí, já que não atestamos nenhum caso. Mas, quando olhamos para o Rio Grande do Sul, a situação é bem diferente”, destacou o reitor, em contato com o Grupo JM, ao lembrar que seis casos foram identificados dentre as pessoas testadas no último final de semana. A partir disso, 12 familiares foram testados e 9 tiveram resultados positivos.
Assim como na primeira fase, a pesquisa foi aplicada em nove municípios gaúchos. Além de Ijuí, participam do estudo Caxias do Sul, Canoas, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Santa Cruz do Sul, Santa Maria e Uruguaiana, representando 31% da população gaúcha, ou seja, 11,3 milhões de habitantes. Pela segunda vez, Ijuí, por meio da Unijuí, que foi a campo para realização do trabalho, conseguiu realizar as 500 entrevistas e os 500 testes rápidos estipulados como meta.
“Os resultados que obtivemos confirmam algumas coisas que já tínhamos pistas. Primeiro, que quando há uma pessoa da casa contaminada, a chance de transmitir a outros moradores é grande. E, segundo, que a prevalência, a quantidade de pessoas infectadas com o novo coronavírus no Estado, na prática, é muito maior. A estimativa que temos é que 15 mil pessoas com anticorpos para o coronavírus vivam no Estado – significando que já tiveram contato com a Covid-19; enquanto que as estatísticas oficiais mostram pouco mais de 1.400.”
Na avaliação do reitor, tanto o Brasil quanto o Rio Grande do Sul têm enfrentado bem o coronavírus. De uma forma geral, a população tem aderido às medidas de distanciamento social, embora tenha ocorrido uma mudança no comportamento da sociedade. Segundo a pesquisa, houve um aumento significativo das pessoas que passaram a sair de casa diariamente: eram 20,6% dos pesquisados na primeira consulta e, agora, esse percentual saltou para 28,3%. O contingente de pessoas que declaram sair apenas para as necessidades essenciais caiu de 58,3% para 53,4% dos entrevistados. Recuo semelhante ocorreu neste intervalo de duas semanas entre aqueles que disseram cumprir o isolamento total: eram 21,1% e, agora, são 18,3%.
Ijuí, Passo Fundo e Santa Cruz do Sul foram as cidades que tiveram um aumento mais significativo de relatos de que a população sai de casa todos os dias, chegando a cerca de um terço dos entrevistados. “Ijuí teve o pior resultado, na verdade. Na primeira fase, realizada no período de Páscoa, 24% da população do município disse seguir saindo todos os dias, durante o período de isolamento. Muitas, claros, trabalhavam em serviços essenciais. Agora, apenas duas semanas depois, o número aumentou para 33,8%. Muita gente começou a sair nesse período desnecessariamente. Muitas destas pessoas não estão em grupos que seriam obrigados a sair”, explicou Hallal, lembrando que, em Ijuí, na primeira etapa, 24% das pessoas disseram que ficavam em casa o tempo todo – percentual que caiu para 18%. “O ideal é que as pessoas seguissem cumprindo o distanciamento social. Mas, claro, em meio a isso temos a abertura do comércio. A indicação é que, quem puder, siga em casa.”
País e Estado têm lidado bem com a pandemia, mas ambos estão indo mal na testagem, como lembra o reitor. “Primeiro, precisamos ter um número maior de testes. Dessa forma, conseguimos testar um grupo maior e conseguimos isolar os casos positivos, evitando que a infecção se espalhe. O nosso estudo mostrou que, para cada pessoa infectada que aparece na estatística, existem outras 12 que não aparecem. Agora imagine que estas 12 estão andando por aí sem saber que têm coronavírus, transmitindo sem saber. Por isso a necessidade de termos testes”, afirmou.
Mais duas etapas da pesquisa serão realizadas – sendo que, a próxima, acontece no feriado do Dia das Mães. Depois de duas semanas, a quarta rodada será realizada.
No País e no Estado, o número de infectados e de mortes não para de crescer, conforme apontam as imagens ao lado.


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