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“Eu sou a Constituição”, diz Bolsonaro após ato

Postada 22/04/2020



Após ser alvo de fortes críticas por sua participação em um ato que defendia uma nova intervenção militar no país, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse ontem que é contra o fim da democracia. "No que depender do presidente Jair Bolsonaro, democracia e liberdade acima de tudo", afirmou a jornalistas ao deixar o Palácio da Alvorada pela manhã.
"O pessoal geralmente conspira para chegar ao poder. Eu já estou no poder. Eu já sou o presidente da República", disse Bolsonaro, que, em outro momento, afirmou. "Eu sou, realmente, a Constituição." Bolsonaro se mostrou bastante incomodado com as críticas que recebeu por participar de ato de apoiadores pró-intervenção militar, com faixas e gritos com pedidos de intervenção militar, gritos contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal e pressão pelo fim do isolamento social recomendado pela Organização Mundial da Saúde contra a pandemia.
No domingo, em cima da caçamba de uma caminhonete, diante do quartel-general do Exército e se dirigindo a uma aglomeração de apoiadores pró-intervenção militar no Brasil, Bolsonaro afirmou que "acabou a época da patifaria" e gritou palavras de ordem como "agora é o povo no poder" e "não queremos negociar nada".
"Nós não queremos negociar nada. Nós queremos ação pelo Brasil", declarou o presidente, que participou pelo segundo dia seguido de manifestação em Brasília, provocando aglomerações em meio à pandemia do coronavírus. "Chega da velha política. Agora é Brasil acima de tudo e Deus acima de todos."
Ontem, o presidente procurou mudar o tom. "Peguem o meu discurso. Não falei nada contra qualquer outro Poder. Muito pelo contrário. Queremos voltar ao trabalho, o povo quer isso. Estavam lá saudando o Exército brasileiro. É isso, mais nada. Fora isso é invencionice, tentativa de incendiar a nação que ainda está dentro da normalidade."
Além de defender o governo e clamar por intervenção militar e um novo AI-5, o mais radical ato institucional da Ditadura Militar (1964-1985), que abriu caminho para o recrudescimento da repressão, os manifestantes aglomerados em frente ao quartel-general do Exército defenderam o fechamento do STF e miraram em Maia. O presidente também criticou "alguns governadores" por causa das medidas de distanciamento social. "Espero que esta seja a última semana desta quarentena, desta maneira de combater o vírus com todo mundo em casa", afirmou.


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