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Educação

Professores se reinventam e apostam em tecnologias

Postada 17/04/2020



A pandemia do novo coronavírus, que levou à suspensão das aulas presenciais em escolas públicas e privadas do Estado, fez com que muitos professores tivessem que se reinventar e encontrar formas atrativas de manter os alunos estudando, mesmo que em casa.
“O principal objetivo de nossas ações pedagógicas é manter o aluno conectado com a aprendizagem e com a escola, contando com o apoio das famílias”, destacou o professor de Artes da Rede Municipal, Flávio Félix. Ele leciona na Escola Dr Ruy Ramos e no Instituto Municipal de Ensino Assis Brasil (Imeab), onde trabalha com as turmas de 8º e 9º Anos, e com o 1º Ano do Curso Técnico em Agropecuária. “Neste sentido, tenho conduzido meu planejamento por cronograma semanal, proposto pela escola e comunicado previamente às famílias. A forma de comunicação que utilizo são os grupos oficiais do Whatsapp e principalmente o Google Classroom.”
A tecnologia também tem sido uma grande aliada para Marcia Mattos Damm, professora de Biologia que atua no Ensino Médio do Colégio Evangélico Augusto Pestana (Ceap) e que também orienta um projeto no componente curricular Projeto de Pesquisa. “A tecnologia tem sido a grande aliada para a continuidade das aulas. Tenho produzido videoaulas, realizado aulas online, por meio do Google Classroom, e utilizado a plataforma Plurall do sistema Anglo, adotado pela escola neste ano”, destacou.
Na rede estadual não tem sido diferente. No momento que a suspensão das aulas foi anunciada, a professora das Escolas Guilherme Clemente Koehler (Polivalente) e  Escola Estadual Ruy Barbosa, Geodeli Corrêa, imediatamente lembrou da plataforma Google Classroom. Ela é responsável pela disciplina de Biologia no Ensino Médio, Curso Normal, Curso Técnico em Edificações e, ainda, pelo componente curricular Biodiversidade, no Novo Ensino Médio. “Embora todas as turmas já estivessem organizadas com grupos de WhatsApp, pensei ser mais interativo e, de certo modo, privativo, usar a plataforma do Google. Pelos grupos, combinamos como funcionaria e dei início à criação das salas de aula virtuais. No primeiro período de suspensão, gravei áudios explicativos de acordo com o material que estávamos trabalhando e eu já havia disponibilizado aos alunos. Quando foi anunciada a prorrogação da suspensão das aulas, resolvi gravar videoaulas. Montei um espaço em casa e baixei programas de gravação e edição. Deixei bem claro para os alunos que, em virtude da excepcionalidade do momento, eu prezaria pela qualidade e não pela quantidade, ou seja, preferi dar andamento ao conteúdo com explicações em vídeo, muito mais do que apenas enviar atividades.”
É claro que, durante a adaptação, dificuldades surgiram – em todas as redes de ensino. Marcia conta que a maior dificuldade foi a apropriação das novas ferramentas, a fim de viabilizar a continuidade das aulas. “Em pouco tempo, como meus colegas, tive que me reinventar e aprender a gravar e postar videoaulas, vídeos no Youtube. Foi um período inicial de insegurança, de muito estudo, busca e aprendizado”, disse, destacando que foi importante a rápida organização do Ceap para preparar os educadores à nova realidade. “Posso dizer que tivemos a formação de uma grande rede de apoio, que está possibilitando manter a qualidade da aprendizagem, marca da escola.”
Félix diz que a principal dificuldade está na relação com o tempo e espaço de realização das atividades, de maneira a manter o aluno motivado e envolvido com a aprendizagem. “Neste cenário,  é preciso planejamento por parte do professor, para que encontre subsídios e inove suas aulas nesta nova perspectiva, além de orientar o aluno para que aproveite  da melhor forma possível todo esse tempo disponível,   organizando um espaço na casa que funcione como local de estudo, como forma de ampliação do tempo de sua rotina escolar. É um momento difícil e de apreensão para todos, uma situação nova para o aluno, para a família do aluno e para o professor”, disse.
Geodeli afirma que a aceitação dos alunos tem sido maravilhosa – o que é possível perceber durante a interação que ocorre pelos grupos do WhatsApp. Mas, claro, a tecnologia não está ao alcance de todos. “Temos muitos alunos com acesso restrito à internet. Muitos só possuem dados móveis para conexão e outros nem celular possuem. Nestes casos, aqueles que têm alguma dificuldade de conexão contatam comigo e organizamos da maneira que for mais tranquila para eles. No caso daqueles que não possuem aparelho celular, entramos em contato com os pais e adicionamos seus números aos grupos de WhatsApp. Demais casos, quando retornarmos, resolveremos de modo particular, sempre prezando pelo aprendizado do aluno. Quanto às minhas aulas, elas ficarão disponíveis na plataforma, podendo o aluno acessá-las a qualquer momento, até mesmo no laboratório de informática da escola, quando retornarmos.”
O contato direto com alunos e familiares têm ocorrido nas três redes de ensino, conforme relato dos professores. E quanto à nova modalidade de ensino, na avaliação dos educadores, os alunos estão conseguindo absorver bem os conteúdos. “Certamente a sala de aula permite uma interação muito rica entre alunos e professores. No entanto, com o acompanhamento que estamos fazendo (o aluno continua com a mesma carga horária semanal das aulas presenciais), e com o contato virtual frequente, as dificuldades não serão maiores do que normalmente acontecem. Claro que para isso o aluno precisa manter a rotina de estudos”, destaca Marcia. Félix diz que alguns alunos apresentam mais dificuldade, sim, mas, no geral, a grande maioria consegue realizar as atividades propostas. “Estamos tendo o cuidado de manter atividades variadas, de leitura, interpretação, criação, que estejam de acordo com conceitos previamente conhecidos pelos alunos. As maiores dificuldades que percebi foram com os mesmos alunos que apresentavam dificuldade nas aulas presenciais", disse.
Geodeli acredita que estamos caminhando para um novo momento da educação. “A geração de estudantes que temos hoje está completamente inserida na tecnologia e este momento forçado nos fez desacomodar. Tivemos que nos reinventar como professores e nos inserir no meio digital. Como há facilidade de comunicação e interação, acredito que eles estão sabendo aproveitar e a aprendizagem ocorre naturalmente. Claro que cada um no seu tempo e ritmo.”

 


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