Notícia

Saúde

Hospitais se adaptam para receber pacientes

Postada 26/03/2020



Presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), Eduardo Trindade diz que o País terá, certamente, um número muito maior de casos de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, nas próximas quatro, seis semanas. “Isso já se prevê, independente das medidas que forem tomadas”, alertou, lembrando que o objetivo das autoridades, e do próprio Ministério da Saúde, é evitar um pico de casos num mesmo período. “O trabalho é para que estes casos sejam distribuídos ao longo das semanas”, destaca. Só assim o sistema de saúde dará conta de atender a todos os pacientes.
“Infelizmente, entre 20 e 30% da população pode ser contaminada com o vírus. O que se espera no Rio Grande do Sul é que a maioria das pessoas tenha quadros de gripe leve, com tosse, febre baixa e um pouco de coriza. Muitos serão assintomáticos, mas muitos vão precisar de leitos de UTI, de cuidados intensivos e ventilação mecânica. Principalmente pacientes com mais de 60 anos ou que sofrem de alguma comorbidade clínica”, destacou.
Diante deste quadro, nada positivo, os hospitais locais estão se preparando para o pior: para atender um grande número de pacientes com coronavírus. 
No Hospital de Caridade de Ijuí (HCI) tem sido constantes as reuniões internas, a fim de organizar os serviços. Segundo o assessor de Comunicação, Allan Fonseca, o Estado já pediu uma reserva de leitos ao HCI. “Temos uma unidade exclusiva, com 32 leitos, preparados para receber possíveis pacientes. À medida que os casos vão surgindo, aumentaremos o número de leitos, conforme contrato com o Estado”, destacou, lembrando que foi solicitado apoio da 17ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) para que o Estado implante 10 leitos de UTI na instituição.
Paralelamente, segundo Allan, parlamentares com votos na região estão sendo contatados para que destinem recursos ao HCI, via emendas, para compra de equipamentos. Para garantir a estrutura necessária, o Hospital busca R$ 1,5 milhão para o Pronto Socorro e quase R$ 2 milhões para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Somente um ventilador mecânico custa R$ 100 mil. “Precisamos estar com o hospital pronto, o mais rápido possível. E infelizmente, dada a situação financeira do Estado, não podemos esperar por recursos.”
Até o momento, o serviço de Controle de Infecção Hospitalar do HCI coletou quatro amostras de casos suspeitos. Uma foi descartada e outras três seguem em análise.
No Hospital Unimed Noroeste/RS, uma das principais medidas adotadas refere-se à modificação de sua estrutura física para atender pacientes com sintomas respiratórios. O Pronto Atendimento foi destinado exclusivamente para receber estas pessoas, considerando que podem ser casos classificados como suspeitos do novo Coronavírus e justificam medidas para evitar a propagação. Já em área anexa do Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI) estão sendo atendidos pacientes com outras manifestações clínicas. O local dispõe de todo o suporte necessário para atender urgências e emergências.
Segundo o médico Jorge Luiz Vargas Montardo, diretor técnico da Unimed Noroeste/RS, a instituição  tem uma capacidade total de 112 leitos, divididos em Unidades de Internação, Pronto Atendimento, recuperação no Centro Cirúrgico e Centro Obstétrico e UTIs Adulto e Neonatal. “Este é o número total para atender todos os tipos de situações. Embora estejamos num período de pandemia, existem outras patologias que também demandam leitos. Para o atendimento de casos suspeitos da Covid-19, a instituição destinou leitos específicos de isolamento, tanto no Pronto Atendimento, quanto em Unidade de Internação e UTI. Através do nosso Plano de Contingência, reforçamos rotinas referentes ao fluxo para atendimento, triagem, diagnóstico e tratamento”, destacou.
Como parte do Plano de Contingência, adotado pela instituição para o enfrentamento de doenças infectocontagiosas, o Hospital Unimed vem seguindo todos os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Até ontem, a instituição tinha registrado 10 notificações de casos suspeitos, realizado nove coletas e obtido oito resultados negativos. Um segue em análise. “Apesar de toda preparação do Hospital Unimed e das ações do sistema de saúde como um todo, é importante reforçar que a população fique atenta às recomendações para evitar o contágio da doença. Estas medidas vêm sendo adotadas como forma de reduzir o risco de um grande número de pacientes necessitando de internação ao mesmo tempo, tanto em leitos normais como em UTI. Tal situação poderá acarretar a limitação de equipamentos assistenciais, bem como de Equipamentos de Proteção Individuas (EPIs), tendo em vista a escassez no mercado. Neste momento, no Hospital Unimed, podemos classificar a situação como tranquila”, reforçou Montardo.
Na última semana, o Hospital Bom Pastor colocou sua atual estrutura à disposição do Município e do governo do Estado. Isso implicaria, segundo o presidente Martinho Kelm, em 40 ou 50 leitos clínicos, além da possibilidade de serem implantados mais 10 leitos de UTI. “Encaminhamos essa possibilidade ao governo do Estado, no sábado, e recebemos um retorno de que a gestão dos leitos de UTI está sendo feita em âmbito estadual e que, neste momento, não havia necessidade de reforço. Mas foi indicado o cadastramento dos leitos clínicos, para que recebam possíveis pacientes”, destacou o presidente.
O Hospital Bom Pastor já está fazendo, segundo Kelm, uma realocação dos atuais pacientes, de modo que toda a estrutura do hospital possa ser utilizada para pacientes com coronavírus. “Seguimos com a missão de agilizar a conclusão do nosso novo complexo. Mas, no momento, entendemos que a estrutura necessária é imediata e, por isso, oferecemos a atual estrutura.”
 Como lembra Kelm, o período é delicado e faz-se necessária uma gestão cuidadosa dos recursos. “Se vamos disponibilizar o hospital, precisamos ter a sinalização de uma remuneração financeira, por parte do Estado. Porque além de colocar 40, 50 leitos, precisamos contratar médicos, enfermeiros. Nos colocamos à disposição do Estado, mas precisamos ter o mínimo de segurança”, reforçou o presidente, lembrando a instituição irá se adaptar ao recurso que vir a ser destinado pelo Estado.


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