Notícia

Economia

Pequenos negócios contabilizam prejuízos

Postada 24/03/2020



Junto com as preocupações com a saúde, a pandemia do novo coronavírus trouxe um momento de grande incerteza para os negócios. Os profissionais autônomos e as pequenas empresas são as mais afetadas – e muitas ainda estão buscando entender como se manter com a loja fechada ou sem poder prestar seus serviços. Com redução na produção, no número de cliente e também no faturamento, o setor de festas e eventos é um dos primeiros a sofrer os impactos. Com as orientações do Ministério da Saúde e publicações de decretos estaduais e municipais orientando a população a ficar em isolamento domiciliar e distanciamento social a fim de evitar a propagação do Covid-19, todos os tipos de eventos foram suspensos ou cancelados.
“Os impactos em nossa área são bem consideráveis. O maior, creio ser o financeiro, mas também precisamos falar do  impacto pessoal, mas esses cancelamentos, reagendamentos, não estão acontecendo por vontade própria. Particularmente falando, não tive com meus clientes nenhum cancelamento, houve reagendamento e estamos trabalhando bastante procurando datas, como as festas de abril e maio reagendando para setembro e outubro, e viabilizando os fornecedores que possam nos atender”, conta a cerimonialista Ieda Maria Calegaro, proprietária da empresa Ieda Maria Calegaro Cerimonial, acrescentando se tratar de um período necessário de recolhimento e acolhimento dos clientes.
No setor de organização de eventos, Ieda comenta ter, pelo menos, 10 empresas atuando em Ijuí. “Terá que haver uma readequação financeira de todos nós, para passar por esse momento, creio que até julho”, projeta Ieda. “Todos nós vamos perder, mas estamos perdendo agora para ganhar depois.”
Em entrevista ao Grupo JM, Ieda comenta que alguns fornecedores comentaram sobre a cláusula contratual que prevê multa em caso de cancelamento do evento. “Sou absolutamente contra, porque ninguém está cancelando ou reagendando por nada. Houve o decreto, o Covid-19 está aí, tem pessoas muito doentes, vamos passar ainda pelo pico dessa doença, virão dias bem ruins e, com certeza, haverá perdas.”
Sandra Paim Casarotto, proprietária da microempresa Sandra Salgados, atua no ramo gastronômico há 10 anos. Para ela, o momento é complicado, em função do cancelamento de pedidos. “Meu trabalho é de segunda a segunda, é complicado ficar praticamente parada, com todos os eventos cancelados, aniversário, formaturas, até mesmo entre familiares, ficamos meio sem saída, mas entendemos que é uma necessidade de nos isolarmos e ficarmos em casa. A esperança de todos é que isso passe logo.”
Sandra trabalha sozinha, e acentua que o prejuízo financeiro será grande. Para enfrentar esse período, ela vai trabalhar com estoque. “Vou passar meu tempo trabalhando, fazendo salgados e congelar para o momento em que o pessoal voltar à vida normal, termos e não precisar atropelar o serviço, porque, como eu trabalho sozinha a demanda estava bastante grande. Em média, sempre tive encomendas de segunda a segunda, então o prejuízo será grande, mas não tem o que fazer, é uma situação que precisamos nos isolar.”
Os músicos também são diretamente afetados, não somente com o cancelamento de festas e eventos, mas também com a determinação de que bares, pubs e casas noturnas fiquem fechados durante o período de contenção. “O decreto cancelou tudo. Com alguns de meus clientes, que tenho datas marcadas para abril, combinamos de manter e estudar a situação mais para frente. Temos que entender que é para um bem maior”, conta o músico Roberto Bones.
Em contato com colegas de profissão, ele afirma que estão todos relatando a mesma situação e preocupados diante da incerteza quanto ao retorno da normalidade. Bones frisa que todo o setor está empenhado em fazer a sua parte, ainda que as perdas financeiras sejam significativas. “Na medida do possível, esperamos ter algum socorro do governo nesse período em que ficaremos sem faturamento algum. Eu, por exemplo, sou microempreendedor individual (MEI), não tenho funcionários, mas tenho vários amigos com empresas grandes, e muitos funcionários, e ficarão sem dinheiro nenhum, porque geralmente, com raríssimas exceções, trabalhamos em um mês, para pagar as contas do próximo. Se parar mais de 30 dias será bem complicado, haverá gente sem dinheiro para nada. Então, esperamos que haja uma ajuda do poder público, que viabilize linhas de crédito com juros subsidiados, para que a gente consiga sobreviver nesse período em que estaremos parados. Todo mundo é trabalhador, ninguém quer nada de graça, mas vamos precisar de ajuda.”


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