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Pandemia atinge venda de material reciclável e catadores pedem ajuda

Postada 24/03/2020



Os recicladores da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis (Acata) e da Associação de Recicladores da Linha 6 (ARL6) estão enfrentando um momento de dificuldades após o decreto que fechou estabelecimentos como medida preventiva contra o coronavírus. A coleta e comercialização de materiais recicláveis são os únicos geradores de renda para as famílias. Outra preocupação também sobre a prevenção das pessoas que trabalham no local, devido a falta de equipamentos. 
A analista de planejamento da Itecsol da Unijuí e assessora das associações de catadores do município, Elizandra Pinheiro da Silva, em entrevista ao Grupo JM, informou que é grande a preocupação em relação as ações das associações de catadores, que estão enfrentando a situação sem muitas condições de prevenções. “Todo o descarte da coleta seletiva que é recolhido acaba chegando nas associações e os catadores fazem o processamento desses materiais, com todo o cuidado, mas sabemos que há o risco de contaminação, pois não temos o controle de quem são as pessoas que de fato estão descartando os materiais” explicou, acrescentando que “estamos apreensivos e preocupados porque são pessoas e agentes ambientais que estão ali, doando o seu trabalho para dar um destino correto para aquilo que hoje os cidadãos ijuiense estão descartando”.
Lizandra falou que a Itecsol está analisando a situação juntamente com o poder público, para pensar coletivamente algumas alternativas, pois há a orientação de que esse trabalho realizado por eles seja suspenso temporariamente, “mas o ficar suspenso temporariamente, para eles que dependem da reciclagem, é uma situação bem delicada, e eles já estão enfrentando algumas dificuldades, pois as empresas que compram esses materiais já suspenderam seus trabalhos, e de certa forma eles estão processando esses materiais e mantendo armazenado, mas ambas as associações não têm uma infraestrutura grande que suporte o acumulo de material, então estamos em uma incógnita do que fazer e de como fazer”, disse.
Além disso, segundo Elizandra, essas famílias recebiam doações de alimentos do programa Mesa Brasil, que também foi suspenso, “e todas as atividades suspensas interferem diretamente na renda, na alimentação, e na sobrevivência dessas famílias que são vinculadas às associações”, declarou, salientando que “é um cenário muito complicado, então peço o apoio da comunidade, que colabore com alguma ajuda financeira ou de alimentos, para tentar amenizar esse impacto que será na vida desses trabalhadores”.
O reciclador Fabricio Carpes dos Santos, da ARL6, afirmou que eles não podem parar o trabalho, pois do contrário, o lixo iria acumular no galpão e posteriormente nas ruas do município, e além disso, “temos contas para pagar, alimentos e remédios para comprar. A nossa renda vem tudo daqui, e como tiramos o nosso sustento daqui, nós vamos continuar trabalhando”, explicou.


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