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Perdas nas lavouras já são irreversíveis

Postada 19/03/2020



A Rede Técnica Cooperativa (RTC), com o apoio da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), estima que as perdas na safra de soja no Rio Grande do Sul serão de 46,6%. Os números, fechados na última sexta-feira, 13 de março, foram levantados com 21 cooperativas agropecuárias gaúchas representando cerca de 3 milhões de hectares da cultura no Estado.
Conforme o presidente da FecoAgro/RS, Paulo Pires, mesmo que haja previsão do retorno de chuvas, a situação é irrecuperável. "É um quadro muito sério para o Rio Grande do Sul, estas perdas são irreversíveis mesmo com previsão e ocorrência de chuvas. Vamos nos encaminhar para um ano muito difícil. Além da perda de quantidade, temos uma perda de qualidade na produção", avalia.
O longo período sem chuvas em nossa região tem tido efeitos negativos sobre a cultura da soja, que está em fase de maturação e enchimento de grãos. 
"Vemos a cada dia aumentar as perdas na soja. Claro, temos diferenças entre os municípios, aqueles mais atingidos pela estiagem. Em nossa região, as perdas são irreversíveis, pode chover hoje, que vamos conseguir recuperar alguma cultura mais tardia, mas a grande maioria da soja que entrou em maturação, não recupera mais, as perdas já são computadas", explica o engenheiro agrônomo da Emater regional de Ijuí, Gilberto Bortolini.
Segundo ele, nas lavouras de Ijuí, Catuípe e Coronel Barros, as perdas estão chegando próximas a 50%, dentro de uma expectativa inicial de colher 60 sacas/hectare em média.
"Ao Norte do Estado, nas divisas com a Argentina, e também com Santa Catarina, temos municípios com a possibilidade de perdas insiginificantes, no máximo 5%. Alguns até 10%, naquela região", pondera o agrônomo, acrescentando que nessas áreas foram registradas precipitações razoáveis, ocorrendo falta de chuva mais próximo ao final do desenvolvimento da cultura.
"Estamos contabilizando 45% de perdas em nossa região, que são irreversíveis. Temos municípios com até 70% de redução na produtividade da soja, não tendo mais como voltar atrás", acentua Bortolini. "A Emater está à disposição, para orientar os produtores, acompanhando, principalmente aqueles que precisam de perícia de Proagro."
Na última semana, juntamente com o governador do Estado, Eduardo Leite, e parlamentares gaúchos, entidades do setor entregaram à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, documento com medidas para amenizar as perdas aos produtores rurais atingidos pela estiagem no Rio Grande do Sul. "Cada vez estas medidas se tornam mais necessárias para resolvermos os problemas desta safra, criar um impacto e condições para que o produtor pague esta conta", ressalta Pires, acrescentando também o problema da pandemia do Coronavírus que vai impactar na economia mundial.
Também no final da semana passada, o governo do Estado confirmou o repasse de R$ 10 milhões para projetos eleitos em 2018/2019 na Consulta Popular, em áreas de Obras e Agricultura (modalidade Feaper), beneficiando 147 municípios gaúchos. A verba é oriunda de emendas parlamentares de deputados estaduais e visa contribuir para a implantação das demandas.
Presidente do Fórum dos Coredes, Roberto Vizoto explica que o repasse é relativo a um passivo de R$ 30 milhões referente a 2018, que seria pago em três vezes.
"Em função dos impactos da estiagem, foi liberada mais uma parcela de R$ 10 milhões voltadas a projetos na área agrícola. Municípios interessados têm até dia 15 de abril para fazer projetos para acessar os recursos", explica o presidente. "É uma notícia boa, porque o setor agrícola vai precisar muito da ajuda governamental devido à estiagem e à frustração de safra que se avizinha."
Vizoto pontua que o caderno de diretrizes da Consulta Popular deste ano prioriza na agricultura projetos voltados aos sistemas de irrigação e abertura de poços e açudes. "Meteorologistas já apontam esse ano com o fenômeno La Niña, que prevê uma diminuição na precipitação de chuvas e, na próxima safra, também iremos ter um inverno pouco chuvoso, e consequentemente. Então, todos precisamos agir e a União liberar recursos para dar estrutura mínima aos produtores para que consigam ter condições de manter suas lavouras, seus animais, porque é do campo que vem a sustentação da cidade." 


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