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Economia

Avanço de surto põe economia em risco

Postada 17/03/2020



O clima segue bastante tenso nos mercados globais. O dólar comercial, referência nas transações entre empresas e bancos, fechou, pela primeira vez, cotado acima dos R$ 5. O dólar turismo teve valorização de 4,17%, para R$ 5,24. Logo após a abertura ontem, o Ibovespa acionou mais uma vez o circuit breaker – o quinto em apenas uma semana. 
Para o professor e economista Marcelo Portugal, a situação do mercado financeiro é reflexo de pânico por parte dos investidores, que buscam por ativos que consideram mais seguro, como moedas estrangeiras - dólar, euro, libras -, ouro e títulos do governo americano e de países europeus.
"Todo mundo quer comprar alguma coisa que acha que não irá perder valor. É pânico. Vai passar e precisamos ter calma, explicar, o Banco Central tem que fazer intervenções pontuais, vendendo um pouco de dólar, podendo ter  oportunidade de melhorar sua condição fiscal", explica Portugal.
Com a diminuição do trânsito de pessoas no mundo, as orientações para evitar aglomerações e se manter em quarentena em casos de suspeita de ter contraído o vírus, a atividade econômica mundial ficará mais devagar, pela simples razão de que as pessoas irão trabalhar menos e demandar menos, resultando numa queda na produção industrial.
"O setor de serviços vai perder muito dinheiro, porque as pessoas não irão a bares, shows, jogos. O que sabemos de fato até agora é que haverá uma desacelaração forte da atividade econômica, tanto por um choque de oferta, por as pessoas ficarem doentes e não irem trabalhar, tanto principalmente por um choque de demanda, associado ao fato de as pessoas ficarem em casa, diminuir a circulação, e, com isso, reduz o  volume de compras, o consumo, e isso afeta a economia do mundo, e a todos."
A União Europeia vai proibir a entrada de todos os estrangeiros por ao menos 30 dias, como forma de combate à pandemia de coronavírus. A medida foi anunciada pela presidente da Comissão Europeia (Executivo do bloco), Ursula von der Leyen e engloba os 27 países da União Europeia mais quatro que fazem parte da zona Schengen.
A bateria de estímulos anunciada pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano) e por outros bancos centrais ao longo do fim de semana não foi suficiente para acalmar o investidor global, que voltou a se desfazer de ativos de risco ontem.
Portugal acentua que, neste momento, é difícil saber o tamanho do impacto, mas, pondera que o crescimento econômico de 1,8% do PIB brasileiro é praticamente impossível, devendo ficar bem abaixo disso. "Depende de quanto vai durar, teremos que esperar um pouco para ver", pontua. "Quando para a produção em um lugar, afeta outro, e atrapalha as cadeias produtivas no mundo. Irá causar também um choque de demanda, com as atitudes defensivas das pessoas, que deixam de gerar valor agregado e PIB. Teremos um problema sério no mundo inteiro, e vai chegar ao Brasil. Vamos voltar a crescer pouco, principalmente no primeiro semestre do ano. A dúvida é: isso se recupera rápido no segundo e terceiro trimestres do ano? Talvez, e aí, talvez, a desaceleração não seja tão forte. Mas, falando sinceramente, hoje, nesse exato momento, fazer uma estimativa e dar um número específico é quase ser cartomante, porque não temos uma base para dizer o tamanho do problema."
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou ontem, em reunião extraordinária, duas medidas para ajudar a economia brasileira a enfrentar os efeitos adversos da epidemia de Covid-19. A decisão permite que os bancos facilitem a renegociação de dívidas de pessoas físicas e jurídicas e aumentem a capacidade de utilização do seu capital.
A primeira medida facilita a renegociação de operações de créditos de empresas e de famílias que possuem boa capacidade financeira e mantêm operações regulares e adimplentes ativas, permitindo ajustes de seus fluxos de caixa. A segunda expande a capacidade de utilização de capital dos bancos para que eles tenham melhores condições para realizar as eventuais renegociações e de manter o fluxo de concessão de crédito.
"O dólar a R$ 5 significa que é pânico, que as pessoas acham que é seguro. Os títulos do tesouro americano devem ter se valorizado barbaramente, porque o pequeno investidor compra dólar e guarda em casa e o grande investidor compra dólar e manda para fora do País e compra título do tesouro americano, porque acha que é a última coisa que vai quebrar, ou compra euro, libras. O fato é que precisamos ter um pouco de calma. Estamos com um problema médico grave, que mata pessoas com mais idade, e isso vai gerar um problema de congestionamento nos hospitais."
 


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