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Economia

Agro impulsiona crescimento do Estado

Postada 12/03/2020



O setor agropecuário gaúcho teve alta de 6,2% em 2019, puxando a economia do Rio Grande do Sul, que cresceu 2% no mesmo ano - desempenho superior ao nacional. O resultado do quarto trimestre de 2019 e o acumulado do ano foram divulgados na manhã de ontem pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag).
Ao considerar os quatro trimestres de 2019, a alta de 2% no PIB foi alavancada pela agropecuária (+6,2%), com destaque para os aumentos das produções de trigo (+30,6%), milho (25,9%) e soja (5,5%). A lavoura de arroz (-14,6%) e a produção de uva (-19,1%) estão entre os destaques negativos.
"Os dados foram bastante positivos para o ano de 2019 e mostram que a economia do Rio Grande do Sul cresceu 2% em relação a 2018. Não é um indicador tão alto, mas é bem maior que o registrado pelo Brasil, que no mesmo período foi de 1,1%", analisa o pesquisador do DEE, Martinho Lazzari, em entrevista ao Grupo JM. "A agropecuária é o setor que mais cresceu e representa um avanço em relação a 2018, quando houve queda na produção agrícola em função de questões climáticas daquele ano. Em 2019, se recuperou, na soja, no milho, no trigo. Para se ter uma ideia, esse mesmo setor no Brasil cresceu somente 1,3%. Então, essa diferença explica bastante do porquê o Rio Grande do Sul acabou crescendo bem mais que o Brasil no ano de 2019."
"Os dados só comprovam como o agro é o pilar de sustentação da economia do Estado", completa o secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Covatti Filho.
De acordo com os pesquisadores do DEE, o resultado do último trimestre abaixo do restante de 2019 já era esperado.
A indústria teve um comportamento bastante peculiar em 2019. Começou o ano em crescimento, influenciada principalmente pela fabricação de automóveis e implementos agrícolas e fechou o ano em queda, em função dessas mesmas atividades - no quarto trimestre, frente a igual período de 2018, caiu 3,9%. 
"Quando a gente olha somente para o quarto trimestre em relação ao mesmo período de 2018, apresentou queda, mas também é positiva, com 1,5%, puxada principalmente pela indústria de transformação durante o ano", acrescenta Martinho.
Já o setor de Serviços teve crescimento de 1,6%.
No quarto trimestre, frente a igual período de 2018, o PIB em geral teve baixa de 0,3%.  A queda geral só não foi mais significativa por conta dos números da agropecuária no trimestre, tradicionalmente um período de pouco destaque para o setor. "A desaceleração em segmentos da indústria com forte representatividade na economia do Rio Grande do Sul já vinha sendo sinalizada pelos indicadores mensais e acabou confirmada. A alta na produção de trigo permitiu minimizar o impacto nos números finais", destaca o pesquisador.
Entretanto, ainda que haja crescimento, os números não são tão animadores, na avaliação de Martinho. "Se pensarmos que tivemos um período recessivo muito forte, essa taxa dos últimos anos, embora sejam positivas e o Rio Grande do Sul na média até tenha crescimento acima do nacional, ela não recupera as perdas ocorridas durante a grande recessão. Então, a gente saúda, mas está longe de recuperar o nível de produção anterior à crise, que ainda é bastante parecido com o de 2013. Na verdade, estamos parados nesse período todo. A recuperação veio, mas ela ainda é bastante lenta, como os números indicam."
Para 2020, de acordo com a chefe da Divisão de Indicadores Estruturais do DEE, Vanessa Sulzbach, os primeiros acontecimentos do ano podem influenciar o desempenho da economia do Estado. "Em função da desaceleração da economia mundial, decorrente dos efeitos do coronavírus e dos prejuízos que o produtor gaúcho terá que enfrentar devido à estiagem dos primeiros meses do ano, o prognóstico para este ano é ainda mais desafiador", comenta.


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